quinta-feira, outubro 22, 2020
Outros

    A crise será longa, não com recuperação para 2021, diz economista

    Em Destaque

    Diretora do BC reitera impacto de crise climática para política monetária

    Eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes no mundo, com possibilidade de afetar as decisões da...

    Na 2ª alta seguida, arrecadação de impostos avança 1,97% em setembro e atinge R$ 119,8 bi

    A Receita Federal informou nesta quarta-feira (21) que a arrecadação de impostos, contribuições e demais receitas federais...

    Recorde na B3: vendas de ações em 2020 já somam R$ 106 bilhões

    O ano de 2020 ainda nem terminou, é verdade. Mas, até os mais conservadores já podem se...

    A economista Monica De Bolle acaba de lançar seu livro Ruptura — primeiro livro da série A Pilha de Areia, que analisa os efeitos econômicos da pandemia de covid-19. Na obra, Monica defende que é preciso romper com padrões estabelecidos de estratégia econômica, como o teto de gastos públicos no Brasil, para responder aos desafios trazidos pelo novo coronavírus.

    A economista deixa claro que a crise de saúde terá efeitos de prazo muito mais longo do que governos e empresas parecem projetar hoje. Para ela, o auxílio emergencial, que foi prorrogado até dezembro, terá de ser estendido novamente, uma vez que está claro que o emprego e a renda não vão se recompor inteiramente até janeiro de 2021.

    “A crise será muito severa e prolongada. É curioso, porque essas noções não foram completamente absorvidas. Já se entendeu que é uma questão severa. O que não aconteceu, pelas projeções que se faz para a economia de 2021, é as pessoas se darem conta de que o processo (de recuperação) será muito prolongado e lento”, disse ela, em entrevista ao Estadão.

    Especialmente no Brasil, falta uma visão mais multidisciplinar da análise econômica?

    Isso é particularmente marcante na macroeconomia. A microeconomia avançou mais. Juntou-se com a psicologia comportamental para explicar como pessoas fazem escolhas. Num modelo tradicional, as decisões são vistas como racionais, e a gente sabe que não é assim. Na parte aplicada, a microeconomia soube incorporar até técnicas biomédicas para fazer estudos randomizados e testar a efetividade de políticas públicas.

    E a macroeconomia?

    A macroeconomia é outra história. De muitas formas, parou no tempo. A economia nasceu da filosofia moral, depois virou economia política. Só após os anos 1950 que a economia foi tendo esse caráter mais tecnocrata. E virou um negócio de modelagem, análise quantitativa. O macroeconomista deve ter um olhar abrangente, saber que instituições, política e cultura afetam (a economia).

    E como isso fica evidente?

    Ficou mais claro depois da crise de 2008. E, agora, mais ainda: porque a pandemia é um desafio muito maior do que o de 2008. Acho que há um atraso completo na macroeconomia. E a ruptura trazida pela pandemia deveria ser uma oportunidade para mudar isso.

    Essa limitação de visão atrapalhou a previsão da crise?

    Essa foi uma das motivações para meu canal no YouTube: como é que os economistas não estavam conseguindo enxergar a crise? Isso deixou muito visível a limitação a um molde de pensamento. Sempre tive um background na área biomédica, e estou estudando de novo, e ficou muito claro que a gente estava enfrentando uma coisa inédita, para a qual a economia não tinha boas respostas. Entendi também que (a crise) será muito severa e prolongada. É curioso, porque essas noções não foram completamente absorvidas. Já se entendeu que é uma questão severa. O que eu acho que não aconteceu, pelas projeções que se faz para a economia de 2021, é as pessoas se darem conta de que o processo (de recuperação) será muito prolongado e lento.

    Sua série de livros trabalha com o tema ‘A Pilha de Areia’. Como se explica o conceito?

    Quando você faz um castelo de areia, de uma coisa você tem certeza: em algum momento, ela vai desmoronar. Esse desmoronamento pode acontecer muito rapidamente ou demorar muito. Pensando nas pandemias, em termos da pilha de areia: a gente tinha certeza absoluta de que uma pandemia viria.

    Era dado já tínhamos tido algumas – a última foi a de H1N1, em 2009. Aquela, em termos de pilha de areia, foi um desmoronamento pequeno e relativamente rápido. Na grande pandemia de 1918, foi exatamente o contrário: todo mundo achava que a influenza era uma gripe – os cientistas não entendiam como tanta gente estava morrendo. O tamanho e intensidade daquilo foi um choque para o mundo. Então, a gente tem de estar sempre preparado – e foi o grande erro do mundo todo, que ficou anestesiado com a H1N1, de 2009.

    Isso atrapalhou a resposta econômica do Brasil à pandemia?

    Acho que a gente conseguiu dar alguma resposta, ainda que muito insuficiente. A gente está deixando muita empresa de porte menor falir. Isso vai ter consequências graves para o emprego e para a eficiência dos mercados, porque você vai gerar uma concentração enorme em determinados setores. Isso se resolveria com política de crédito público.

    O BNDES deve ser mais ativo?

    O BNDES está em uma prisão ideológica. A TLP é uma excelente taxa de referência para o BNDES, mas é ruim em um momento de crise porque tem uma parte pós-fixada. As empresas ficam sem saber quanto vão pagar de juros. Isso seria facilmente corrigido se o BNDES também emprestasse às taxas do Tesouro. Não precisa colocar subsídio nenhum. O que as empresas pedem é uma taxa prefixada. A única explicação (para a estratégia atual) é: ‘nós não vamos fazer o que a Dilma fez’. Mas não convence.

    E a distribuição de renda, deve ser mais generosa e longa?

    Principalmente, mais longa. (O auxílio emergencial) não ficou tão bom quanto poderia ter ficado, mas ajudou, apesar de muito problema de execução e fraude. Agora, o desafio que está colocado é o seguinte: o benefício foi reduzido e estendido até dezembro. Só que tem o precipício, porque a gente sabe que a pandemia ainda está descontrolada e as pessoas não vão achar emprego até o fim do ano. E a situação da economia em janeiro vai ser de penúria. Então, alguma coisa a mais vai ter de ser feita.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Estadão Conteúdo

    Serviços

    Investimento em Empresas

    O mercado de aquisições de empresas está bem ativo e atraente considerando dois aspectos: O Dólar alto e a SELIC baixa.

    Buscamos Empreendedores para parcerias.

    Foto: Moyses Samuel, Presidente do grupo Profiting. Estamos selecionando empresários, em âmbito nacional, que possuam negócios que precisam ser...

    Recuperação de tributos próprios

    Sua empresa pode melhorar o fluxo de caixa se houver créditos tributários nos últimos 5 anos.

    Há sempre possibilidades de melhorias

    "O Brasil possui excelentes profissionais de consultoria. Nesta crise é necessário muita dedicação na busca de soluções para os problemas. Em situações...

    Quanto a minha empresa perdeu de valor na Pandemia?

    Algumas empresas aumentaram seu valor na pandemia. Outras, perderam. É importante saber qual o ganho ou qual a perda nesse momento? A...

    Últimas Notícias

    Startup do Carrefour reduz desperdício e ajuda a economizar até R$ 2 mi

    O Cybercook poderia ser apenas mais um site de receitas. Mas, adquirido pela rede de supermercados Carrefour...

    O que está por trás das compras da Stone?

    Nos últimos anos, a Stone comprou diversas startups, como a Vitta, de planos de saúde, e a...

    Veja outras matérias