quarta-feira, janeiro 19, 2022
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    Alexandre Saigh: “IPOs só no fim de 2022 ou 2023”

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    Numa tacada que consolidou a maior gestora de private equity, infraestrutura e crédito da América latina, o Pátria acaba de concluir a aquisição da chilena Moneda, criando uma plataforma com US$ 25 bilhões (o equivalente a R$ 141 bilhões, ao câmbio de hoje) em ativos sob administração.

    Anunciada em setembro, a transação com a Moneda — uma firma liderada por Alfonso Duval que gere aproximadamente US$ 10 bilhões — complementa as áreas de atuação do Pátria, cuja força maior está em private equity e infraestrutura. Os chilenos atuam predominantemente em crédito privado e ações.

    A aquisição de US$ 315 milhões (parte em caixa, parte em ações) alinha os interesses dos sócios de Moneda e Pátria no longo prazo, disse Alexandre Saigh, cofundador e CEO da gestora brasileira, ao Pipeline. Pelo acordo de acionistas firmado entre as partes, os sócios de ambas terão um lock-up de cinco anos.

    Antes da aquisição, os sócios brasileiros que comandam o Pátria detinham 60% da gestora, enquanto a Blackstone ficava com 15% e o restante, pulverizado no mercado. Ao emitir ações para adquirir a Moneda, o número de sócios passa de 23 para 33 e a fatia dos sócios vinculados ao acordo de acionistas chega a 65%.

    “Estamos todos juntos no longo prazo”, frisa Saigh — ao lado de Olimpio Matarazzo, chairman e cofundador do Pátria, os dois são os maiores acionistas. Listada na Nasdaq no início do ano, a gestora vale US$ 2,2 bilhões, um montante que deve ficar entre US$ 2,4 bilhões e US$ 2,5 bilhões com a emissão dos 7,5% de ações que serão entregues aos sócios da Moneda.

    Além de ampliar o raio de atuação, o Pátria ganha acesso a uma base maior de investidores e bastante diversa daquela a que está acostumado. Atualmente, 93% dos investidores são estrangeiros. Do lado da chilena Moeda, 70% dos investidores são locais — especialmente fundos de pensão e seguradoras.

    Uma das casas mais renomadas da América Latina pelo histórico de retorno — os fundos de PE da gestora registram uma taxa interna de retorno de 15%, em dólar —, o Pátria se prepara para levantar seu sétimo fundo de private equity em 2022 (o sexto fundo, que levantou mais de US$ 2 bilhões, está na fase final de investimentos).

    “Provavelmente, também vamos captar o fundo V de infraestrutura no ano que vem”, frisou Saigh, lembrando que os recursos do último fundo de infraestrutura, que começou a ser captado há dois anos, também se encaminha para a fase final de alocação.

    Na leitura do CEO do Pátria, o interesse dos estrangeiros pelos fundos da casa continua grande, apesar da situação política e econômica mais conturbada. “Nós já captamos em outros momentos em que o Brasil estava passando por alguma crise”, lembrou. O mesmo vale para a Moneda. “O nosso foco são os investidores com horizonte de longo prazo”, disse Alfonso Duval, que conversou com o Pipeline por vídeo, direto de Santiago.

    As incertezas políticas, no entanto, devem jogar os IPOs que o Pátria pretende fazer de suas investidas — notadamente, as companhias de saúde Athena e Elfa — para o fim de 2022 ou 2023, reconheceu Saigh. “Até o meio do ano, a agenda eleitoral vai dominar e isso pode influenciar negativamente. O ano de 2022 deve ser complicado para IPOs”, avaliou.

    Além disso, o aumento de juros é negativo para ações, penalizando sobretudo os negócios onde a maior parte do fluxo de caixa está no longo prazo. Por outro lado, a união com a Moneda traz um trunfo. “A beleza é que um investidor pode pedir um resgate de um produto nosso e ir para renda fixa, num produto de crédito da Moneda”, argumentou o CEO do Pátria.

    No Brasil, país que concentra 30% do portfólio de mais de US$ 5 bilhões da Moenda em crédito — quase tudo de emissores privados —, a tendência já aponta para bons retornos reais, considerando um cenário com a Selic chegando a 11% ou 12% em 2022 e a inflação cedendo para 5% ou 6%, conjecturou Saigh.

    Os juros mais altos também tendem a favorecer os fundos de infraestrutura, cujos ativos de concessões possuem contratos que são atualizados pela inflação.

    Fonte: Pipeline Valor

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