sexta-feira, abril 16, 2021
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    Alta dos combustíveis impacta prévia da inflação de fevereiro

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    A alta nos combustíveis, em especial na gasolina e no diesel, desencadeou uma crise na Petrobras com direito a nova indicação de comando por parte do presidente Jair Bolsonaro e críticas à política de preço na companhia. O combustível alto, para além do desgaste político que representa a Bolsonaro, também tem impacto importante na inflação, que começa a ser visto em fevereiro. Segundo o IBGE, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, acelerou 0,48% em fevereiro, maior resultado para o mês desde 2017. O maior peso do indicador foi a alta 3,34% no preço dos combustíveis.

    Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,57%, acima dos 4,30% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2020, a taxa foi de 0,22%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 24. Vale lembrar que a meta de inflação para 2021 é de 3,75%.

    O maior impacto individual no índice do mês veio da gasolina, cujos preços subiram pelo oitavo mês consecutivo (3,52%). Também houve altas nos preços do óleo diesel (2,89%), do etanol (2,36%) e do gás veicular (0,61%). De janeiro para cá, a Petrobras aumentou em cerca de 30% o preço da gasolina e do diesel nas refinarias. Baseada nos preços do mercado internacional, o movimento dos combustíveis tem influência clara do real desvalorizado e alta nas commodities.

    A partir do último trimestre do ano passado, o preço do barril voltou a subir e, como o real passou a valer menos em relação ao dólar, o peso no valor do combustível é ainda maior. Incomodado com os preços, Bolsonaro anunciou que deve zerar os impostos federais sobre o diesel, enviou um projeto de lei para tabelar o imposto estadual, além, da indicação do general Luna e Silva para o lugar de Roberto Catello Branco no comando da companhia.

    Na comparação com janeiro, que o IPCA-15 foi de 0,78%, a inflação desacelerou. A diferença entre o resultado da inflação e a percepção do consumidor está relacionado à cesta de produtos medida pelo IPCA. O índice se refere às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos (44.400 reais mensais) e, valores alimentos e combustíveis pressionam mais famílias mais pobres e os outros itens da cesta acabam diluindo a variação do índice. Na prévia da inflação de fevereiro, ao passo que os combustíveis subiram, os alimentos desaceleraram (0,56% contra 1,53% no mês anterior), resultado da redução de preços de alimentos como a batata-inglesa (-5,44%), leite longa vida (-1,79%), óleo de soja (-1,73%) e arroz (-0,96%). A pressão inflacionária nos combustíveis, entretanto, pode influenciar no valor dos alimentos, já que o transporte entra na composição do preço cobrados por comerciantes.

    No caso do IPCA-15, que mede os preços entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês de referência, esse intervalo pode influenciar no indicador. É o caso do grupo habitação, por exemplo, que desacelerou por causa da energia elétrica. O grupo registrou deflação de -0,74% contra alta de 1,44% no mês anterior. A queda é devido à redução nas tarifas de energia elétrica (-4,24%) registrada no IPCA-15 por conta da mudança das bandeiras tarifárias de vermelha patamar 2 ,em dezembro, para amarela, em janeiro e fevereiro, considerando os períodos de referência e base do IPCA-15.

    Apontada como transitória pelo Banco Central e pelo governo, a pressão inflacionária pode voltar a influenciar as decisões de política monetária neste ano, apesar do resultado melhor de janeiro. Isso acontece porque o real continua desvalorizado e, além do petróleo, outras commodities como a soja estão em ciclo de alta, e podem continuar a pressionar os alimentos. Apontado como um dos ‘vilões’ para a aceleração no ano passado, o auxílio emergencial deve ser reeditado, voltando a impulsionar o consumo e a alta nos preços. A PEC emergencial, uma das contrapartidas da equipe econômica, deve ser votada esta semana no Senado, abrindo caminho para a reedição do benefício a partir de abril.

    Fonte: Veja

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