sexta-feira, abril 23, 2021
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    Ânima: Dynamo e Atmos estão dispostas a ampliar fatia na empresa

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    A Ânima Educação tem dentro de casa garantia de 400 milhões de reais a 500 milhões de reais para a oferta pública que colocou na rua na terça-feira, 24. A empresa pretende captar entre 800 milhões de reais e 1,1 bilhão de reais. O dinheiro vai ser usado para acelerar o reequilíbrio da estrutura de capital da empresa após a compra da Laureate Brasil, um investimento de 4,4 bilhões de reais.

    Na base de acionistas da companhia, há investidores importantes que estão dispostos a aumentar suas participações, a depender de preço e demanda na operação, conforme EXAME IN apurou — vários deles, inclusive, preferiam um aumento de capital privado. Não se trata de uma garantia firme formal, mas de um apetite conhecido e medido. Entre eles, se destacam duas das mais tradicionais casas de investimento fundamentalista do país, a e a Atmos, ambas cariocas.

    A Dynamo já tem atualmente perto de 10% do capital da Ânima e é a segunda maior acionista, atrás apenas de Daniel Castanho — dono de 11,6% das ações e presidente do conselho de administração. E a Atmos tem fatia superior a 6% da empresa. O interesse pelas novas ações inclui ainda um investidor da Laureate, que pretende se tornar acionista da companhia na operação.

    A capitalização vai acelerar o processo de desalavancagem após a aquisição da operação brasileira do grupo americano, um passo transformador para a Ânima. Mais do que colocar o negócio como 3º maior entre as empresas de capital aberto e 4º maior do país, a transação faz da companhia a segunda maior em cursos de Medicina, considerado a galinha dos ovos de ouro do ensino superior.

    Para entender o suporte dado à companhia pelos atuais acionistas, basta lembrar que na negociação com a Laureate foi entregue uma carta compromisso de detentores de 56% do capital de que aprovariam a transação — lembrando que a Ânima não tem sócio majoritário.

    Apesar de tudo que o setor de educação sofreu na B3, em razão da pandemia, a oferta chega em um dos melhores momentos de mercado. O Índice Dow Jones terminou a terça-feira em sua máxima histórica e o Índice Bovespa acabou o dia a apenas 5% de distância de seu melhor fechamento.

    Quem não vai acompanhar a capitalização, conforme o EXAME IN apurou, é Castanho. O empresário, que é a cara do negócio, sofrerá uma pequena diluição na transação — não por falta de vontade de comprar os novos papéis, mas por já ter se alavancado para acompanhar a emissão de 1,1 bilhão de reais realizada no começo deste ano, conforme pessoas próximas à oferta.

    A Ânima pode emitir entre 27 milhões e 36,45 milhões de ações ordinárias, o que significa uma diluição de 25% a 34% para os atuais investidores que não acompanharem a colocação. Portanto, Castanho pode terminar a operação com 9,6% do capital total da empresa. Apesar de possivelmente perder a posição de maior acionista, o empresário não deve ver sua influência sobre o negócio reduzida.

    A Ânima começou na própria terça-feira, dia do anúncio da oferta, o road-show com investidores. O que se comenta no mercado é que a empresa agora tem uma Afya de valor para ser destravado. Enquanto a Ânima vale 3,2 bilhões de reais na B3, a Afya é avaliada em 2,6 bilhões de dólares — a companhia escolheu fazer sua oferta pública inicial na Nasdaq — ou 14 bilhões de reais.

    A comparação ocorre porque as duas vão ficar muito próximas em quantidade de vagas para cursos de medicina, sendo que o negócio conduzido por Castanho está posicionado em cidades maiores e com maior potencial de crescimento. A Afya tem hoje 2.470 posições e a Ânima, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a compra da Laureate, terá 2.260 — a diferença será inferior a 10%

    Na largada da compra da Laureate, parte importante do valor de firma da Ânima estará na dívida líquida — a alavancagem de partida da combinação é 5 vezes o Ebitda somado das empresas. Antes da aquisição, a companhia não tinha compromissos líquidos. Investidores próximos do negócio estimam que a Ânima tem condições de reduzir, com tranquilidade, esse indicador para algo entre 3,5 e 3 vezes até o fim de 2021.

    A estimativa para o próximo ano considera os recursos da oferta pública, mais a venda da bandeira paulista FMU para a Farallon Capital por 500 milhões de reais, sinergias e ainda a expectativa de que a Ser Educacional compre duas unidades dos ativos da Laureate, por 180 milhões de reais — 17 mil estudantes dentro das operações da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), estado de origem do fundador da Ser, Janguiê Diniz, e do Centro Universitário dos Guararapes (UNIFG).

    A Ânima tem se destacado no setor por apresentar — e ter um plano de desenvolvimento todo nessa direção — um projeto híbrido de ensino que vai muito além da discussão sobre a mera divisão entre aulas presenciais e ensino à distância. Trata-se de uma combinação completa do mundo físico com o universo digital, que permitirá dar escala ao acesso dos estudantes aos melhores profissionais nacionais e até globais de determinada especialidade, junto com plataformas digitais específicas — como é o caso da startup de soluções de realidade virtual recém-adquirida Medroom.

    Para aqueles que conhecem de perto o método Lumiar de ensino fundamental, há uma profunda identidade de conceito. O projeto foi criado pelo empresário Ricardo Semler e tem como sócio, há pouco menos de uma década, o próprio Castanho. Os planos todos de ambos os negócios, quando conhecidos, fazem muito sentido.

    A estratégia acaba evidente no desempenho financeiro. A Ânima é a única entre as companhias listadas na bolsa que apresenta crescimento de receita líquida — e relevante — há sete trimestres consecutivos, mesmo com pandemia. O mesmo vale para a margem Ebitda: é caso isolado entre as pares da B3 de ganho de margem trimestre a trimestre nesse intervalo.

    Mas, mesmo para os investidores que estão apostando forte na empresa, nada é tão óbvio. A Ânima vinha de um processo de reinvenção e ajustes internos. As coisas finalmente chegaram num bom ponto. Aborver uma operação do tamanho da Laureate —- maior que ela própria, na largada — não tem nada de trivial. Há, portanto, preocupação com o sucesso na execução da estratégia. A entrega vai ser cobrada dia-a-dia.

    Fonte: Exame

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