sexta-feira, julho 10, 2020
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    Apesar do dólar mais caro, mais brasileiros investem no exterior

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    Em dezembro do ano passado, milhares de investidores brasileiros fizeram, pela primeira vez, um investimento no exterior. A intenção, contudo, não era diversificação, mas sim participar da oferta inicial de ações (IPO, pelas iniciais do inglês) da XP Investimentos, que abriu seu capital fora do Brasil, na Bolsa norte-americana Nasdaq.

    A corretora Avenue Securities, criada para facilitar o investimento direto do brasileiro na Bolsa americana, registrou naquele mês a abertura de 11 mil contas – o melhor período até ali. Em maio, já durante a pandemia de covid-19, um novo recorde: 24 mil novos clientes.

    Mesmo com o salto do dólar corroendo o valor da moeda brasileira neste ano, o que afeta a rentabilidade futura do investimento no exterior, o investidor brasileiro começou a diversificar sua carteira, com opções no exterior, o que antes era concentrado em grandes investidores. Na Avenues são hoje 100 mil contas abertas.

    O número de cotistas de fundos com classificação de “investimento no exterior”, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ainda é tímido: cerca de 88 mil em março, 10 mil a mais do que no início do ano passado.

    No País, os fundos que investem nos chamados BDRs – os Brazilian Depositary Receipts, que são os recibos de ações negociados no Brasil com lastro em valores mobiliários emitidos por companhias estrangeiras – hoje podem ser apenas adquiridos por investidores qualificados, que são aqueles com mais de R$ 1 milhão investidos.

    No entanto, o assunto está na mesa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que caminha para alterar a regulação e liberar a compra desses papéis por investidores do varejo. O passo vem sendo, há tempos, defendido pelo mercado, já que dará acesso à diversificação para investidores com aplicações menores.

    O estrategista-chefe da Avenue, William Alves, comenta que os investimentos no exterior sempre fizeram parte dos portfólios de grandes investidores, mas era algo não acessível ao varejo, grupo de investidores que vem crescendo exponencialmente no Brasil em tempos de juros baixos. “Agora, o que mudou, foi a pessoa física querendo também ter acesso ao exterior diante da queda de juros.”

    A queda de juros no Brasil, com o País alcançando o juro real zero, tornou muito mais difícil a busca por investimentos com mais retorno, o que vem mudando a dinâmica do mercado brasileiro, com poupadores revisando seus portfólios, muitas vezes pouco diversificados e com muita exposição à renda fixa, especialmente em títulos do governo.

    O olhar ao mercado externo, além do componente de diversificação, tem crescido com a performance dos mercados nos Estados Unidos, com a Nasdaq, por exemplo, tendo batido recorde nesta semana.

    Para aqueles que preferem investir por meio de fundos no Brasil que investem no exterior, o número de opções das prateleiras das plataformas e gestoras está crescendo. Na Vitreo, por exemplo, um lançamento de um fundos de BDRs de empresas de tecnologia, como as gigantes americanas Amazon, Netflix, Facebook, Microsoft, Google, que tanto se destacaram na pandemia que colocou um terço da população mundial em quarentena. Na primeira semana a captação foi de R$ 20 milhões, de 1,6 mil pessoas físicas. Na B3 há hoje cerca de 550 BDRs de empresas estrangeiros listados.

    “O tema de diversificação internacional veio para ficar. Para diversificar, é precisa ter um pé lá fora e as pessoas estão acordando para isso”, afirma o fundador e presidente da Vitreo, Patrick O’Grady. Segundo ele, o brasileiro olha, é claro, a desvalorização do real, mas, segundo ele, a taxa de câmbio não pode ser um impeditivo para diversificar.

    Alves, da Avenue, frisa que, apesar da desvalorização do real, os ativos norte-americanos vem apresentando alta valorização, o que pode ajudar a equilibrar essa balança. Um exemplo que recentemente ficou notório foram as ações da Apple – a primeira companhia americana a valer US$ 1,5 trilhão.

    Na Warren, os fundos de investimento no exterior foram um dos que mais cresceram em maio, na esteira da busca por investidores por ativos no exterior. “Se diversificando no exterior você mitiga o risco do País”, afirma o analista de renda variável da Warren, Igor Cavaca. A casa afirma que tem tido muita procura nos produtos que além de investir em ativos no exterior uniram o apetite dos investidores por ativos verdes a diversidade.

    Fonte: Estadão

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