sexta-feira, agosto 7, 2020
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    Brasil na rota do ‘lockdown’

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    Os sete erros cometidos ao longo dos meses, segundo especialistas

    Regiões brasileiras chegaram a um cenário tão crítico de calamidade dos sistemas de saúde que a única saída agora seria uma maior restrição da circulação de pessoas e até “lockdowns”, de acordo com especialistas

    Regiões brasileiras chegaram a um cenário tão crítico de calamidade dos sistemas de saúde por causa do coronavírus que a única saída agora seria uma maior restrição da circulação de pessoas e até “lockdowns”, de acordo com especialistas.

    “Lockdown” é o termo em inglês para confinamento ou isolamento compulsório, e pode ter diferentes graus de rigor, da restrição maior de transporte público e privado ao bloqueio total de entradas de cidades ou Estados. É diferente da adesão voluntária da população ao isolamento social porque pode restringir a circulação de pessoas através de bloqueios e punições — de multas a detenção —, como ocorreu na Itália e na Espanha, por exemplo.

    O objetivo do isolamento das pessoas, voluntário ou compulsório, é reduzir as contaminações e ganhar tempo para que os sistemas de saúde possam atender os pacientes mais graves. Se muita gente estiver infectada de uma vez pode não haver leitos para todos — como já acontece em alguns Estados do Brasil que atingiram ocupação máxima de leitos de UTI.

    “Temos aumento de casos, aumento de mortes e redução de isolamento. Não vejo outra solução a não ser tomar uma medida muito mais forte, muito mais extrema”, diz Paulo Lotufo, epidemiologista da USP.

    O Brasil começou bem com o isolamento social com alguma antecedência, mas cometeu alguns erros ao longo do caminho que colocou o país na rota do “lockdown”. A BBC News Brasil falou com cinco especialistas da área de saúde para entender que erros foram esses e por que o confinamento pode ser a melhor solução para algumas regiões.

    1) Adesão irregular ao isolamento social
    O primeiro motivo citado por especialistas para uma eventual necessidade de restrição severa de circulação de pessoas ou o confinamento compulsório é que simplesmente muitas pessoas não fizeram o isolamento social proposto até agora ou abandonaram a quarentena no meio do caminho.

    “Se formos pensar no país como um todo, o isolamento foi muito irregular. Em alguns lugares, praticamente não existiu”, avalia Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    Na visão da epidemiologista Raquel Martins Lana, “o isolamento começou a ser afrouxado no momento mais crucial”. Como o vírus demorou um tempo para chegar ao Brasil, regiões do país até começaram a se preparar com antecedência. “A gente estava indo relativamente bem, com tempo para construir hospitais de campanha, aumentando o número de leitos e ganhando certa vantagem para deixar a transmissão mais devagar”, diz ela.

    “A epidemia ficou um pouco mais lenta no Brasil e houve um pequeno retardo no colapso do sistema em alguns lugares. Mas quando a gente ia ver isso, o isolamento foi abandonado em muitos lugares, e rapidamente houve um aumento de casos graves.”

    Lana é integrante do Mave, grupo de trabalho de pesquisadores de computação científica da Fiocruz e matemática aplicada da Fundação Getúlio Vargas que vem analisando a situação da disseminação do vírus no Brasil.

    “Se tivéssemos continuado com o isolamento como no início, provavelmente não precisaríamos agora de uma medida radical como o isolamento obrigatório. A gente tinha adesão alta. Não era uniforme, não era igual em todos os Estados, mas estava funcionando”, afirma.

    2) Anunciar futura flexibilização da quarentena
    Para o epidemiologista da USP Paulo Lotufo, gestores que anunciaram a flexibilização da quarentena no futuro cometeram um grande erro. O Estado de São Paulo, por exemplo, comandado por João Doria, acertou em adotar o isolamento social com certa antecedência enquanto simultaneamente aumentava a capacidade do sistema de saúde.

    Mas em 20 de abril, Doria anunciou que a quarentena seria flexibilizada, caso alguns critérios fossem cumpridos. A data prevista para essa flexibilização era a de 11 de maio, três semanas depois do anúncio do governador.

    Para Lotufo, teria sido um erro aventar essa possibilidade. “A leitura que passou para a população foi que ‘opa, tudo bem, está liberado'”, diz ele. “O que estamos percebendo é que quando você sinaliza com uma data, as pessoas já assumem a postura na hora.”

    Não foi só no governo do Estado. Algumas cidades paulistas também quiseram flexibilizar a quarentena ainda antes da data estipulada por Doria, e isso foi comunicado para a população.

    Stucchi, da Unicamp, diz que anúncios assim passam a impressão de que está “tudo bem”. “Essas notícias acabam confundindo muito. A leitura das pessoas é: ‘Se ele já está falando que vai flexibilizar no futuro, é porque está tudo bem agora, eu posso abrir minha lojinha aqui, reunir meus amigos’.”

    3) Falta de restrição de circulação durante feriados
    Outro erro, de acordo com Lotufo, foi não ter havido restrições durante a Semana Santa em São Paulo. No período do feriado, de 5 a 11 de abril, muita gente viajou para o interior do Estado e para o litoral. “Deveria ter havido um bloqueio, ninguém poderia entrar nem sair da cidade. Teve ida e vinda muito grande entre os municípios”, diz ele.

    Stucchi menciona que houve três feriados consecutivos no último mês: a Páscoa, Tiradentes (21 de abril) e o 1º de maio. “Deveria ter havido maior bloqueio e restrição em estradas para dificultar a locomoção de pessoas”, opina.

    4) Comportamento do presidente minimiza riscos e confunde população
    Desde o começo na pandemia no Brasil, Bolsonaro tem abertamente desrespeitado as regras de distanciamento social, incentivando, participando e inclusive causando aglomerações na capital federal.

    No dia 15 de março, quando o Ministério da Saúde recomendava que aglomerações fossem evitadas e a Organização Mundial de Saúde (OMS) já recomendava o afastamento social, Bolsonaro celebrou em sua conta do Twitter atos que estavam acontecendo pelo país — depois de negar que ele mesmo os tivesse convocado.

    Chamou a doença de “gripezinha”, minimizando a doença em rede nacional no dia 24 de março.

    No dia 29 de março, um dia após seu ex-ministro Mandetta defender o isolamento social e recomendar que as pessoas não saíssem às ruas, Bolsonaro deu um passeio por várias partes de Brasília. Entrou em uma farmácia e em uma padaria, causando aglomeração e tirando fotos com apoiadores — entre eles, pessoas com mais de 60 anos, parte do grupo de risco para o coronavírus. Depois disso, em outras duas ocasiões, nos dias 9 e 10 de abril, voltou a sair em passeios por Brasília, causando mais aglomerações e abraçando e dando apertos de mãos em apoiadores.

    Bolsonaro também chegou a participar de uma manifestação. No dia 19 de abril, endossou e esteve de corpo presente em um protesto com bandeiras contra a democracia em Brasília. O presidente até discursou na manifestação.

    A última de suas aparições claramente violando as recomendações da OMS e de seu próprio Ministério da Saúde foi neste domingo, 3 de maio, quando foi à rampa do Palácio do Planalto falar com apoiadores. Sem máscara, não respeitou o distanciamento social e pegou crianças no colo para tirar fotos.

    Além disso tudo, desde o começo da pandemia, o presidente do Brasil vem fazendo uma série de declarações minimizando a doença e rechaçando medidas para conter sua disseminação pelo Brasil. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, disse ele quando o país ultrapassou a marca de 5 mil mortos na semana passada.

    “É um desserviço imenso, e influencia muito a população”, avalia Stucchi. “De um lado, vemos na televisão notícias sobre a pandemia, sobre o coronavírus. De outro, vemos o presidente dando beijinhos, abraços, andando sem máscara e atraindo multidões”, diz ela, citando como contraponto a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Arden, e seus pronunciamentos sobrea pandemia e a importância do distanciamento social.

    Para ela, “a postura do presidente tem dificultado o trabalho de todos que tentam mostrar, a área da saúde e da imprensa, qual é o caminho que deu certo nos outros locais e o que é importante para controlar a transmissão”. “Certamente não é um caminho com essa falta de exemplo, essa remada contra a maré que vem sendo feita pelo presidente.”

    Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2020/05/os-sete-erros-que-poem-brasil-na-rota-do-lockdown-segundo-especialistas.html

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