sexta-feira, maio 20, 2022
Outros

    Com inflação já acima da meta de 2022, analistas falam em juros de 14% ao ano

    Em Destaque

    Em abril, índice ficou em 1,06%, o maior para o mês desde 1996. Alimentos e gasolina puxaram o indicador para cima

    Puxado pelos preços de alimentos e combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 1,06% em abril, informou o IBGE. Em quatro meses, o índice já atingiu 4,29%, superando o centro da meta da inflação (3,50%) estabelecida para o ano.

    É a maior alta para abril desde 1996 (1,26%). O resultado indica desaceleração frente a março, quando o IPCA ficou em 1,62%, mas, em 12 meses, chegou a 12,13%.

    É o maior índice acumulado desde outubro de 2003, quando atingiu 13,98%. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 1% em abril e 12,07% em 12 meses.

    Os dados mostram uma alta de preços generalizada. O índice de difusão, que mostra o percentual de itens que subiram, foi para 78,25%. É o maior desde janeiro de 2003, quando foi de 85,94%.

    Para analistas, o IPCA acima do esperado pode levar o juros a 14% ao ano. Atualmente, a Taxa Selic está em 12,75%. O Credit Suisse, que na terça-feira revisou sua projeção de inflação para 9,7% em 2022 e 5,1% em 2023, espera que o Banco Central leve os juros a 14%.

    A MB Associados revisou o IPCA deste ano de 7,8% para 8,7%, e a Selic para 13,75%, mas com viés de alta.

    — O BC, cada vez mais, está lidando com a inflação de forma isolada, porque a política fiscal e o cenário internacional não ajudam. O BC não tem muita alternativa. Provavelmente vai ter que subir mais um pouco, e não dá para descartar (que chegue a 14%) — afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB.

    O Banco Original revisou o IPCA de 2022 de 7,7% para 9%. Marco Caruso, economista-chefe do banco, diz que a Selic deve ficar em 13,25%, mas por um tempo maior:

    — O BC já entregou um ciclo alto, que vai começar a surtir efeito na inflação no segundo semestre. Faria sentido ele ir até 13,25% e parar para olhar. Esperamos que a taxa tenha que ficar nesse patamar por, pelo menos, um ano.

    Alimentos e combustíveis seguem pressionando o indicador. Os principais impactos em abril vieram do grupo Alimentação e bebidas, que subiu 2,06%, e de Transportes, com alta de 1,91%. Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 80% do IPCA de abril.

    — Houve alta de mais de 10% no leite e em componentes importantes da cesta do consumidor, como batata-inglesa (18,28%), tomate (10,18%), óleo de soja (8,24%), pão francês (4,52%) e carnes (1,02%) — diz André Almeida, do IBGE.

    Outra pressão veio dos combustíveis, que subiram 3,20%. Só a gasolina aumentou 2,48% em abril.

    Fonte: O Globo

    Fusões e Aquisições

    spot_img

    Últimas Notícias

    Energia solar global dobra em três anos e chega a 1 terawatt

    A fonte solar acaba de ultrapassar a marca de 1 terawatt (TW) de potência instalada e pode dobrar em...

    Tesla deixa índice ESG e Musk diz que tema ‘é uma farsa’

    A Tesla (TSLA34) deixou de integrar o índice S&P 500 ESG, o que ocorreu “por falta de uma estratégia...

    Veja outras matérias