sexta-feira, julho 30, 2021
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    Como a minúscula Bélgica tem a pior situação de coronavírus da Europa

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    A Bélgica pode estar perto de um “tsunami” causado pelo novo coronavírus. É o que disse o ministro da Saúde do país, Frank Vandenbroucke, à rede de televisão RTL.

    O ministro classificou a situação em algumas regiões do país como “as piores e mais perigosas” em relação à covid-19 em toda a Europa. Não é pouca coisa: a Europa vive uma intensa segunda onda de contágios pela covid-19, que já ultrapassa o pico anterior da doença no primeiro semestre.

    As duas regiões mais afetadas na Bélgica são a Valônia, ao sul (e falante de francês), e a capital Bruxelas. O país, dividido entre uma região falante de francês e outra de holandês, tem pouco mais de 11 milhões de habitantes.

    O ministro também lembrou que, caso o número de hospitalizações continue subindo na Bélgica (a alta em entradas nos hospitais já chega a 90%), o cuidado médico com outras doenças graves pode ficar comprometido.

    “O governo só tem uma mensagem para o público: se protejam e protejam seus entes queridos de forma a não se contaminarem”, disse.

    A Bélgica havia conseguido escapar da segunda onda de contágios em agosto, quando parte da Europa começava a sofrer. Mas os casos subiram em setembro, com a volta das crianças às escolas e pais retornando ao trabalho após férias de verão.

    Nos números absolutos, a Bélgica não tem a pior situação da Europa. Mas a preocupação do ministro reside no tamanho pequeno do país para tal número de casos. A França tem mais de 66 milhões de habitantes; a Espanha, 47 milhões; o Reino Unido, 67 milhões; a Holanda, 17 milhões.

    Em outubro, algumas semanas chegaram a ter alta de 70% nos contágios. A Bélgica vem tendo cerca de 7.000 novos casos por dia, e teve o número mais alto de casos desde o começo da pandemia na última terça-feira.

    É o mesmo patamar de casos da Alemanha, que tem 83 milhões de habitantes (e também vem sofrendo com alta nos contágios).

    • Mortes por dia na Bélgica: cerca de 30 mortes
    • Casos por dia na Bélgica: cerca de 7.000 casos
    • Casos totais na Bélgica: mais de 222.000 casos (até segunda-feira, 19)
    • Mortes totais na Bélgica: 10.400 mortes (até segunda-feira, 19)

    A título de comparação, o Brasil, que tem uma população mais de 15 vezes maior, tem registrado pouco mais que o dobro dos casos diários belgas, com novos casos diários na casa dos 20.000, segundo a média móvel brasileira. O número de mortes na Bélgica, contudo, é muito menor, na casa de 30 mortes por dia, ante pouco menos de 500 no Brasil.

    Tentativas contra o lockdown

    Nesta segunda-feira, 19, o governo belga entrou em uma tentativa de última hora para evitar um novo lockdown. Bares e restaurantes serão fechados por um mês a partir de hoje.

    Uma das medidas, que já havia sido usada nos meses anteriores, é limitar o número de encontros entre grupos sociais, incluindo entre familiares, se ocorrerem dentro de lugares fechados.

    O modelo belga foi inclusive copiado pelo Reino Unido, que restringiu encontros entre familiares e amigos na semana passada. Outras regiões em toda a Europa já têm imposto medidas de restrição de horários e encontros, na esperança de evitar novo lockdown.

    O governo belga tem sido criticado por não fazer testes suficientes e, depois da testagem, por não conseguir rastrear os infectados e as pessoas com quem tiveram contato. O rastreamento é essencial porque é capaz de garantir que pessoas não estejam transmitindo o coronavírus sem saber.

    A alta de casos na Europa preocupa, embora o número de mortes esteja menor desta vez (devido ao contágio mais alto em jovens em vez de idosos, mais técnicas médicas contra a doença e alguma imunidade já desenvolvida na população).

    Uma projeção pessimista da Organização Mundial da Saúde estima que, se medidas não forem tomadas, o número de mortes na Europa pode quintuplicar. Outra preocupação é a chegada do inverno no Hemisfério Norte. A mesma preocupação vale para os Estados Unidos, que também têm tido novas altas de contágios.

    Fonte: Exame

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