sexta-feira, maio 20, 2022
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    Creditas aposta em garantia vitalícia para atrair comprador de carro usado

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    O mercado de carros usados no Brasil passa por uma transformação. A digitalização e o aumento da oferta de produtos e serviços, alguns dos quais até então inéditos, ocorrem na esteira da entrada de novos players, que aumentam a competição pelo cliente.

    A nova aposta vem da Creditas, uma das mais valiosas fintechs do país — em sua última rodada, há um ano, foi avaliada em 1,75 bilhão de dólares. A sua plataforma voltada para compra, venda e financiamento de carros usados, a Creditas Auto, está lançando a garantia vitalícia para modelos adquiridos em sua plataforma digital a partir desta quarta-feira, dia 1º de dezembro. A nova solução será oferecida também a quem comprou veículos com a empresa nos últimos seis meses.

    A garantia vai cobrir reparos mecânicos em motor, transmissão, direção, suspensão etc. desde que atendidos certos critérios, como a realização de revisões periódicas em oficinas próprias Auto ou na rede autorizada. Não estarão cobertos serviços e itens cujo reparo ou troca seja decorrente de desgaste natural ou uso inadequado e haverá uma limitação de rodagem a 20.000 quilômetros por ano.

    “Acreditamos que vamos manter o cliente na nossa plataforma pelos motivos bons. O objetivo é que ele encontre aqui dentro as soluções para as necessidades que surgirem”, disse Fabio Zveibil, vice-presidente de Consumer Solutions da Creditas, à EXAME Invest. “Queremos que troque o carro depois com a gente e que conheça outros produtos.”

    Os preços programados das revisões pela companhia, segundo Zveibil, serão competitivos em relação aos praticados pelo mercado e informados com antecedência ao proprietário do veículo no momento da compra.

    A qualquer momento de sua jornada o cliente terá o direito de abrir mão da garantia vitalícia para realizar revisões em oficinas de sua escolha ou não realizar os serviços programados.

    Segundo ele, a garantia vitalícia entra na proposta de valor para o cliente planejada dentro da plataforma, que inclui o acesso facilitado a financiamento, ao seguro — por meio da Minuto Seguros, corretora digital adquirida em julho — e a serviços como o direito a um test drive por dez dias antes da compra.

    Com a estratégia, a Creditas pretende aumentar a receita gerada pelo cliente ao longo de um ciclo de relacionamento, métrica conhecida como LTV (Lifetime Value).

    “Pensamos na rentabilidade do ecossistema como um todo”, disse o executivo. “Oferecer a garantia vitalícia e levar o dono do carro a fazer a manutenção comigo vai reduzir o custo de aquisição do cliente [CAC] no futuro”, explicou.

    A garantia vitalícia deve levar também ao aumento do giro do negócio. Traduzindo: que o mesmo cliente troque de carro mais vezes ao longo de sua vida, uma vez que estará em contato frequente com especialistas da Creditas Auto para eventuais necessidades que surjam, como a de um modelo maior após o nascimento de filhos.

    “A venda de um carro é um processo que ainda depende muito de recomendações que o cliente recebe de amigos ou familiares, mas isso é algo com que as pessoas nem sempre podem contar”, afirmou.

    Novidades como a da garantia vitalícia contrastam com uma realidade que, até pouco tempo atrás, impunha ao consumidor a aventura de comprar um carro usado acreditando na boa fé do vendedor — seja uma pessoa física ou uma loja — caso não tivesse conhecimentos de mecânica ou alguma oficina de confiança para fazer a vistoria.

    É uma mudança radical em um segmento que, até poucos anos atrás, era essencialmente analógico e pulverizado entre vendedores e compradores individuais, pequenas lojas de rua e concessionárias mais interessadas em vender carros novos. Os grandes feirões de automóveis a céu aberto cedem gradualmente espaço a uma jornada digital.

    Outro player de destaque que entrou no mercado brasileiro de carros usados no meio do ano é a mexicana Kavak, a segunda startup mais valiosa da América Latina (atrás apenas do Nubank).

    Em comum, as startups dedicadas ao ramo automotivo buscam melhorar a experiência de compra para aumentar a base de clientes de forma acelerada e rentabilizar o negócio com a venda de produtos e serviços.

    Visão de ecossistema

    A Creditas Auto tem atualmente mais de 3.000 carros usados em estoque, mas o plano é multiplicar esse número ao longo do próximo ano com crescimento orgânico, impulsionado por ações estratégicas como a da garantia vitalícia.

    Além da plataforma digital, a companhia deve fechar o ano com 15 lojas físicas em São Paulo e no Rio de Janeiro, em um modelo omnichannel que permite ao comprador potencial ver de perto muitos automóveis.

    Segundo Zveibil, está em estudo um modelo de assinatura de serviços que poderia incluir do direito às revisões periódicas programadas até o pagamento de tributos como o IPVA e de tags de pedágios e estacionamento.

    São novidades para um negócio que está ganhando escala em seu primeiro ano de operação: a entrada da Creditas no mercado de carros usados acaba de completar apenas seis meses. Dois meses depois da estreia em maio, o negócio deu um salto com a aquisição da Volanty, startup dedicada à compra e venda de usados.

    O objetivo da entrada em automóveis foi complementar de maneira mais abrangente a estratégia de ecossistema, que já contava com empréstimos e outros serviços financeiros. A especialidade da Creditas é o empréstimo com garantia (para quem financia), também conhecido como home equity.

    Em paralelo, a Creditas celebrou em setembro um acordo com o Nubank que prevê que o banco digital distribua os produtos de crédito da fintech para a sua base de clientes — eram 48,1 milhões ao fim desse mês, no Brasil, na Colômbia e no México. Pelo acordo, o Nubank poderá assumir uma fatia de até 7,7% do capital da Creditas em até dois anos.

    A Creditas contava com uma carteira de crédito de 2,92 bilhões de reais ao fim do terceiro trimestre. O portfólio praticamente triplicou (+181%) de tamanho no período de um ano. As receitas avançaram 233% na base anual, para 257,1 milhões de reais no trimestre, enquanto o prejuízo ficou em 81,2 milhões de reais.

    Fonte: Exame

    Fusões e Aquisições

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