sexta-feira, maio 20, 2022
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    Desmatamento pode levar o Brasil a novas crises hídricas

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    A Amazônia registrou 28.060 focos de queimadas em agosto, segundo dados do Programa de Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um número acima da média histórica. Para especialistas, o avanço do desmatamento e a falta de preservação de mananciais podem fazer com que o país repita cada vez mais o cenário de crises hídricas em razão da escassez de chuvas.

    A avaliação é que, quanto mais a região for desmatada, menor será a incidência de chuvas na região central. No Cerrado, as queimadas ameaçam a vazão de alguns dos principais rios. O alerta do professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP e membro do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), é que o país precisa parar de fazer planejamento de curto prazo e focar em políticas públicas que pensem o futuro, voltadas para um horizonte superior à duração de um único governo.

    — A gente sempre culpa o clima porque está chovendo menos. Mas a responsabilidade é nossa, das políticas ambientais, inclusive do atual governo. A falta de chuvas é resultado de mudanças climáticas globais. A gente está vendo o desastre esperado — disse.

    O especialista lembra que há anos a ciência vem alertando para as consequências do desmatamento da Amazônia. Ele reduz a chamada evapotranspiração (evaporação da água do solo mais a transpiração das plantas), e o resultado é a incidência menor de chuvas no Brasil Central. É nessa região que está localizado o Pantanal, a maior planície alagada do mundo.

    Artaxo pondera que o combate ao desmatamento e a preservação dos mananciais dos rios são medidas fundamentais para a economia, pois asseguram as condições para o bom desempenho do agronegócio e do setor energético.

    — Não adianta olhar para cima e ver se chove menos ou mais. É preciso trabalhar para a preservação dos mananciais e tratar de reduzir drasticamente o desmatamento da Amazônia. A questão da surpresa em relação a esta nova crise hídrica é relativa. Era apenas questão de tempo para que acontecesse. E a gente tem que se preparar para a próxima, que pode vir em três ou sete anos. A gente aumenta a resiliência às crises com políticas de Estado e não de governo — afirmou.

    No futuro, diz o especialista, a água será uma commodity muito valiosa. Ele lembra que vários países têm menos água que o Brasil, mas conseguem gerenciar recursos de modo mais favorável para suas economias. No Brasil, 85% da matriz energética são renováveis.

    — Temos de agir já. O Brasil tem um gigantesco atraso no planejamento energético. A redução contínua da precipitação no Brasil Central já ocorre ao longo de dez anos, e as secas serão cada vez mais frequentes. Precisamos incorporar isso em políticas públicas de energia, do agronegócio e do setor financeiro — disse.

    Fonte: Exame

    Fusões e Aquisições

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