segunda-feira, janeiro 18, 2021
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    Dona da Consul e Brastemp abre plano de demissão voluntária e faz cortes na estrutura

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    Com a crise gerada pela pandemia, e com intuito de se manter “competitiva” e eficiente, a Whirlpool (dona das marcas Brastemp e Consul) aprovou uma reestruturação que inclui um programa de demissão voluntária (PDV), segundo informação que consta em suas notas explicativas do terceiro trimestre. Ao fim de 2019, a empresa tinha 10,5 mil funcionários.

    O custo estimado e provisionado com a reestruturação e as demissões de pessoal foi de R$ 44,5 milhões de julho a setembro. Até setembro, a empresa já havia desembolsado R$ 26 milhões desse valor.

    Presidente da Whirlpool para a América Latina, João Brega, em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/G1
    Presidente da Whirlpool para a América Latina, João Brega, em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/G1

    Em abril, o CEO da operação latino-americana da Whirlpool, João Carlos Brega, disse em entrevista que a última opção seria demitir pessoas na crise, pelo menos nos quatro meses seguintes.

    Na nota explicativa de 30 de setembro, a empresa diz que “toma medidas para melhorar sua eficiência operacional e se manter competitiva” e, nesse contexto, aprovou e comunicou aos colaboradores um “plano de reestruturação organizacional” para simplificar a estrutura que incluiu um Programa de Demissão Voluntário (PDV), bem como desligamentos involuntários, diz.

    “Espera-se que as ações sejam substancialmente concluídas em 2020″, informou a empresa.

    Antes disso, nas notas explicativas do segundo trimestre, a empresa disse que a crise gerada pela Covid-19 a fez buscar “medidas estratégicas para manter a sua competitividade”. A empresa diz que comunicou os empregados sobre o PDV em julho de 2020 e o período de adesão ocorreu entre 3 e 7 de agosto.

    Logo após o início da pandemia, a empresa também informou a redução de 25% a jornada de trabalho e nos salários dos empregados, entre maio e junho, como autorizado às empresas por medida provisória do governo. Foram afetados trabalhadores da área produtiva (manufatura), os profissionais da área de vendas e de parte dos profissionais das áreas administrativas. Ainda foram suspensos, em maio e junho, os contratos de trabalho dos promotores de venda e dos demais profissionais da área administrativa, disse em fato relevante publicado em abril.

    Brega disse em abril que as empresas no país teriam que “comparecer” no momento inicial de crise, não demitindo “na primeira hora”.

    “[Tem que] manter o emprego pelo maior tempo possível, com o suporte do governo. Mesmo porque, e eu falo pela Whirlpool, a gente tem estudos matemáticos que mostram o seguinte: se você tem uma crise, vale mais a pena manter um funcionário por quatro meses do que demitir”, disse em entrevista ao site Neofeed.

    “O custo de demissão, mais o tempo de recontratação, mais o tempo de treinamento para um novo empregado atingir a performance do anterior, são quatro meses. O governo tem ajudado, e o Ministério da Economia tem sido muito proativo nisso. A atividade privada também tem a responsabilidade social”, afirmou.

    Ao Valor, em novembro, a companhia afirmou que há uma demanda aquecida por eletrodomésticos pela alta no consumo e mencionou até risco de falta de produtos no varejo.

    Brega afirmou que a demanda está sendo atendida, ainda que não na velocidade esperada. “Mas temos a certeza de que entre novembro e dezembro isso se normaliza. Vai ter falta de produto se [o consumidor] quiser naquele instante, mas se aceitar receber até o Natal o produto comprado na Black Friday, todo mundo vai ficar bem satisfeito”, disse.

    Perdas com Ricardo Eletro

    A Whirlpool teve que aumentar a provisão relativa a perdas com a recuperação judicial da Ricardo Eletro, anunciada em agosto, e tem um saldo em aberto com a empresa de R$ 173,2 milhões. Neste ano, a fabricante opera com vendas em alta, mas lucro em queda no Brasil.

    Em dezembro de 2019, a companhia possuía um saldo líquido (a valor presente) e de provisão para perdas de créditos esperadas no montante de R$ 154,9 milhões referente a Máquina de Vendas, controladora da Ricardo Eletro. Depois disso, afirma que, com o pedido de recuperação protocolado, reconheceu provisão adicional de R$ 25,8 milhões.

    “O saldo remanescente a receber do referido cliente no montante de R$ 173,2 milhões que está em processo de recuperação judicial foi reclassificado para ‘Outras Contas a Receber (Não Circulante)’ juntamente com a respectiva provisão para perdas esperadas de 100% do valor em aberto”, disse.

    Em junho, antes do pedido na Justiça, frente à piora da situação da varejista, o grupo decidiu acionar o seguro de crédito, recebendo da seguradora R$ 129,1 milhões no final de setembro de 2020, que cobre parte das perdas.

    Segundo o comando da Ricardo Eletro disse no fim de 2018, a Whirlpool foi uma das fornecedoras que concordou em renegociar condições de contrato na primeira fase de reestruturação de dívidas com credores, quando a varejista ainda buscava se reerguer financeiramente. Na época, parte da indústria manteve fornecimento ao grupo e, entre elas, a Whirlpool, disse o comando da rede.

    A Whirlpool apurou vendas líquidas de R$ 6,2 bilhões de janeiro a setembro, alta de 16,6% sobre o ano anterior, com lucro líquido de R$ 443 milhões, versus lucro de R$ 1,6 bilhão um ano antes. A queda reflete o fato de a base de comparação ter sido “turbinada” em 2019 pela venda da unidade de compressores da Embraco.

    Considerando apenas as operações continuadas (sem incluir a Embraco), o lucro líquido da empresa caiu neste ano, de R$ 599 milhões de janeiro a setembro de 2019 para R$ 443 milhões em 2020, recuo de 26%.

    Fonte: G1

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