sexta-feira, maio 20, 2022
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    Dona do Sonrisal rejeita oferta de R$ 380 bi da Unilever

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    A GSK (GlaxoSmithKline) recusou uma oferta de £ 50 bilhões (R$ 380 bilhões) da Unilever para adquirir sua joint venture de saúde do consumidor com a Pfizer, sob o argumento de que ela “fundamentalmente subvalorizava” a empresa e suas perspectivas futuras.

    A empresa vem se preparando para separar a divisão, uma joint venture com a Pfizer que, no Brasil, é dona, entre outros produtos, da pasta de dentes Sensodyne, do sal de frutas Eno, do Sonrisal, do CataflamPro, do Advil e do Centrum.

    A GSK disse que recusou três abordagens, incluindo uma de £ 50 bilhões que incluía £ 41,7 bilhões em dinheiro e £ 8,3 bilhões em ações da Unilever, feita em 30 de dezembro.

    “O conselho da GSK concluiu por unanimidade que as propostas não eram do melhor interesse dos acionistas da GSK, pois basicamente subvalorizavam o negócio de produtos de saúde do consumidor”, disse a companhia em um comunicado.

    “O conselho da GSK, portanto, continua focado em executar sua proposta de cisão do negócio de produtos de saúde do consumidor, para criar uma nova companhia global independente de consumo líder da categoria que, dependendo da aprovação dos acionistas, deverá ser realizada em meados de 2022.”

    A Unilever disse mais cedo neste sábado (15) que tinha “abordado a GSK e a Pfizer sobre uma potencial aquisição do negócio”.

    “A GSK Consumer Healthcare é líder no mercado de saúde do consumidor, e seria uma forte solução estratégia enquanto a Unilever continua reformulando seu portfólio. Não pode haver certeza de que um acordo será alcançado”, acrescentou a Unilever.

    A Unilever fez diversas tentativas de envolver a GSK nos últimos meses, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

    A proposta de £ 50 bilhões foi relatada primeiramente pelo jornal Sunday Times.

    A perspectiva de um negócio ser alcançado depende do que o mercado e a GSK acreditam que seja o valor da empresa de consumo. Estimativas de analistas variam de £ 37 bilhões a £ 48 bilhões pela unidade (R$ 280 bilhões e R$ 363 bilhões). A GSK disse esperar que as vendas cresçam de 4% a 6% a médio prazo, a taxas de câmbio constantes.

    A Unilever não quis comentar se vai tentar uma oferta mais alta.

    Investidores ativistas como o fundo hedge dos EUA Elliott Management pressionaram Emma Walmsley, presidente-executiva da GSK, para explorar outras opções —incluindo uma venda— se puder gerar maiores retornos para os acionistas. Walmsley pretende usar as receitas da cisão para reforçar as empresas farmacêutica e de medicamentos.

    Marco Taricco, diretor de investimentos na Bluebell Capital Partners —um dos investidores ativistas que pressionam a GSK para considerar a venda da unidade—, disse que a proposta é “prova de que um negócio de tão alta qualidade tem o potencial de atrair o interesse de compradores estratégicos e financeiros”.

    A Pfizer detém 32% da divisão, que, segundo a GSK, entrará no mercado de capitais em Londres neste ano, embora grupos de capitais privados também tenham examinado uma potencial aquisição.

    Uma liquidação da Unilever seria uma das maiores já ocorridas no mercado de Londres, juntando a terceira maior companhia da FTSE 100 com uma divisão que, se independente, estaria entre as 20 mais. Só seria rivalizada pela aquisição da alemã Mannesmann pela Vodafone, em 1999, e pela compra da SABMiller pela AB InBev, em 2016.

    A abordagem veio quando a Unilever, já um dos maiores grupos mundiais de bens de consumo, busca renovar o ímpeto depois de um período morno de crescimento de vendas.

    O preço de sua ação estagnou depois que seu presidente-executivo, Alan Jope, assumiu o cargo, em 2019, e o investidor Terry Smith, um dos dez maiores, atacou nesta semana a companhia como “trabalhando sob o peso de uma administração que é obcecada por exibir publicamente credenciais de sustentabilidade às custas de se concentrar nos fundamentos do negócio”.

    Fonte: Folha

    Fusões e Aquisições

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