quinta-feira, março 4, 2021
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    Eneva acirra disputa com AES e eleva proposta pela Tietê a R$ 7,9 bi

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    Em uma grande reviravolta, a Eneva elevou sua oferta pela AES Tietê a 7,86 bilhões de reais — ante aos 7,5 bilhões de reais propostos na quinta-feira passada. Além disso, ampliou a fatia em dinheiro do pagamento de 728 milhões de reais para 1,995 bilhão de reais.

    Essa oferta é para convencer o BNDES a apoiar a empresa no projeto de incorporar a AES Tietê e levar esse modelo à administração da empresa para que, então, seja colocado em votação em uma assembleia de acionistas, na qual a controladora AES Corp não tem maioria. Isso porque a Tietê é uma companhia listada no Nível 2 de governança corporativa da B3, onde as ações preferenciais também possuem direito a voto.

    A Eneva, que tem a Cambuhy Investimentos e o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) como principais acionistas, quer incorporar a Tietê inteira. Não tem interesse em ficar apenas com a parcela do BNDES. O que a empresa quer é o apoio do banco na operação.

    Por ação, o novo valor equivale, pelo fechamento de sexta-feira, a 19,72 por unit da Tietê. A AES Corp. ofereceu 17,15 reais por ação do BNDES, mas apenas para o 67% da posição — o que colocaria cerca de 1,2 bilhão de reais no caixa do banco. A instituição de fomento tem 28,5% do capital total da Tietê —posição superior à da própria controladora.

    A nova oferta dificulta a vida do BNDES, mas amplia sua chance de rentabilizar seu investimento. Com essa nova oferta, a posição do BNDES seria avaliada a 2,24 bilhões de reais — quando considerada a troca de toda sua participação. Desse total, 567 milhões de reais em dinheiro, ante cerca de 200 milhões de reais do modelo apresentado na semana passada.

    A AES Corp já deixou claro, na tentativa da Eneva do começo deste ano, que não aceitará o resultado de uma assembleia de Tietê que aprove a operação, se não estiver de acordo com a transação. Entende que a opção por vender ou combinar a Tietê é apenas sua, como controladora (com 61,6% das ações ordinárias) e que o voto dos preferencialistas em assembleia seria apenas uma espécie de aval.

    O assunto já foi levado à B3, que criou o regulamento do Nível 2. A bolsa confirmou o direito de voto e a AES Corp já deixou claro que diante da situação concreta levaria o negócio para ser avaliado na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), o que tem potencial de deixar o negócio suspenso durante um período que pode superar mais de um ano.

    Fonte: Exame

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