segunda-feira, março 1, 2021
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    FT vê mercado atento a futuro de Guedes e diz que ministro está ‘frustrado’

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    Com a indicação de possível troca no comando da Petrobras, analistas agora estão “atentos” ao futuro do ministro da Economia, Paulo Guedes, que está “frustrado” com o ritmo lento de aprovação das reformas econômicas. A avaliação é do jornal britânico Financial Times, que hoje repercutiu a queda de mais de 20% nas ações da petrolífera brasileira.

    Na publicação, o FT lembra que o derretimento da Petrobras na Bolsa vem logo depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticar publicamente Roberto Castello Branco, atual presidente da estatal, por conta dos recentes reajustes no preço da gasolina e do diesel, “o que despertou preocupação entre caminhoneiros e ameaças de greve”.

    Bolsonaro, continua o jornal, “insiste que suas ações não configuram ‘interferência’ na companhia”, apesar de a indicação do general Joaquim Silva e Luna para o comando da Petrobras ter preocupado investidores internacionais. O mercado teme que o governo brasileiro passe a adotar uma abordagem mais intervencionista na economia, indo de encontro ao que defende Paulo Guedes.

    “Fora uma grande reforma da Previdência aprovada em 2019, a maior parte das mudanças [propostas] não aconteceu”, aponta o FT. “Analistas agora estão de olho no futuro de Paulo Guedes, ministro da Economia do país, que reiteradamente prometeu reverter o papel do Estado na economia, mas está frustrado com o ritmo lento das reformas”.

    Ninguém caiu tanto como a Petrobras no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3). As ações preferenciais da estatal (PETR4), as mais negociadas, fecharam em queda de 21,15%, enquanto as ordinárias (PETR3) — com direito a voto em assembleia — registraram baixa de 19,96%.

    Com o temor de que o governo intervenha em mais estatais, o impacto não se concentrou na Petrobras: as ações do Banco do Brasil (BBAS3), por exemplo, encerraram o dia com um tombo de 11,06%.

    Ainda falta aprovação

    O general Joaquim Silva e Luna ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras antes de assumir o comando da estatal. Na semana passada, após o anúncio de Bolsonaro, a companhia disse apenas que o mandato de Castello Branco se encerra em 20 de março, indicando que ele não sairá antes disso.

    Luna era diretor-geral da Itaipu Binacional e já foi ministro da Defesa durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), em 2018.

    No sábado (20), Bolsonaro ainda disse que vai “meter o dedo na energia elétrica”, e que, “se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais”. A declaração impactou as ações da Eletrobras, que chegaram a operar em queda de mais de 4% durante o dia, mas se recuperaram parcialmente, encerrando o pregão em baixa de 0,69% (ordinárias) e 0,17% (preferenciais).

    Fonte: Uol

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