sábado, outubro 16, 2021
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    PagSeguro desaba com barulho regulatório em meio a correção global das fintechs

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    As ações da PagSeguro caíram 11,5% ontem, com o papel reagindo à notícia de que o Banco Central abriu uma consulta pública para colocar um limite de 0,5% na tarifa de intercâmbio (TIC) cobrada em transações com cartões pré-pago.

    Na média, a TIC praticada hoje nos cartões pré-pagos é de 1,5%, três vezes maior que o limite pretendido pelo BC. A TIC faz parte da taxa de desconto (MDR) e é uma remuneração, definida pela bandeira, para incentivar o emissor do cartão.

    A PagSeguro é a empresa brasileira listada que tem a maior parte de sua receita exposta a essa tarifa.

    Curiosamente, o papel já havia caído 19% na sexta — antes da publicação do relatório do BC colocando o assunto em consulta pública.

    Desde o high, em 11 de fevereiro, até o fechamento de ontem, a PAGS já perdeu 47,7% de seu valor de mercado. Nesta terça, a ação estava em alta de 6% em Nova York por volta das 11:30, horário do Brasil.

    Se o limite sugerido pelo BC for implementado, o Itaú BBA estima que a PAGS perderá R$ 300 milhões de sua receita líquida estimada para 2022 — uma redução de 14,8% na receita estimada da empresa no ano que vem.

    Para os analistas do Itaú, apesar de a medida já ter sido discutida com o mercado, a tentativa de implementá-la este ano foi uma surpresa.

    Na mesma linha, os analistas do Bank of America se disseram surpresos com a consulta pública diante da pouca relevância das receitas com essas tarifas para a indústria — elas representam apenas 2% do total das receitas com cartões.

    O BofA estima que essas taxas respondam por entre 50% e 60% das receitas do PagBank (cerca de R$ 600 milhões, estimados para 2021), o que representa entre 5% e 6% da receita total da PagSeguro. O BofA faz a ressalva de que a empresa tem diversificado suas receitas com novos produtos, como empréstimos, seguros e investimentos.

    O JP Morgan calcula que a medida pode levar a uma redução de 16% no lucro por ação da PagSeguro.

    Os cartões pré-pagos ganharam espaço nos últimos anos no País, lançados pelas fintechs. Apesar de se assemelharem a uma operação de débito — o dinheiro já está no cartão e não há risco de crédito — os pré-pagos seguem todos os procedimentos das transações com cartões de crédito: não há limitação para a TIC e o prazo de pagamento ao estabelecimento comercial é de 30 dias. (A indústria funciona assim por razões tecnológicas: só utilizando a plataforma de crédito o cartão pré-pago poderia ser aceito no ecommerce.)

    O BC está querendo ajustar exatamente isso — e a consulta pública também vai discutir o prazo de 30 dias. Enquanto a Selic estava baixa, na casa dos 2%, a importância deste prazo era pequena. Mas agora que os juros estão em alta, o prazo maior passa a ter mais relevância para o estabelecimento comercial. O limite de 0,5% proposto para a TIC nas operações com os cartões pré-pago segue o mesmo limite médio colocado pelo BC para as transações com cartão de débito no início do ano.

    Edson Santos, um dos maiores especialistas em meios de pagamentos do Brasil, diz que as consequências da medida podem ser grandes, pois muitos bancos digitais não vão conseguir sobreviver sem a remuneração e o prazo atuais.

    “A maioria das fintechs brasileiras nasce monoproduto. Elas montaram seus modelos de negócio baseados nessa expectativa,” Edson disse ao Brazil Journal. “Aquelas que têm conta de pagamento e têm dependência da taxa e do prazo vão sofrer mais do que uma outra empresa que já evoluiu.”

    A medida afeta em menor proporção os bancos digitais maiores e com negócios mais maduros, porque eles já partiram para a oferta de outros produtos e serviços para diversificar as receitas.

    Na consulta pública, as fintechs devem tentar defender a manutenção de prazo e taxas sob o argumento de que, sem isso, poderá diminuir a concorrência com os bancos tradicionais. Já os donos de estabelecimentos comerciais vão sustentar que cartão de débito e pré-pagos têm o mesmo efeito e deveriam custar a mesma coisa.

    A consulta pública ficará aberta por 45 dias.

    Mudanças regulatórias à parte, o mergulho da ação da PagSeguro vem num contexto de correção global de ações de growth, com o setor de fintechs sendo particularmente atingido.

    O Inter já caiu 47% desde o high em 21 de julho, quando o papel saiu a R$ 84,86. Ontem, fechou a R$ 44,90.

    Na Stone, a correção foi ainda mais devastadora: o papel já caiu 67% desde o high em 17 de fevereiro, quando o papel negociou a US$ 94,09. Ontem, fechou a US$ 30,87.

    ****

    Na sexta-feira, depois do fechamento do mercado, a PagSeguro disse que Eduardo Alcaro deixou o cargo de diretor de desenvolvimento de negócios, que ocupou por mais de 10 anos. Ele permanecerá na PAGS como vice-presidente do conselho.

    A empresa também informou que Alexandre Magnani — que estava na diretoria de vendas e serviços financeiros internacionais desde janeiro de 2015 — será o COO da companhia.

    Fonte: Neofeed

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