sexta-feira, maio 20, 2022
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    Para Gol, voo com Avianca pode ser mais longo

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    O acordo entre os controladores da Gol e acionistas principais da Avianca para criar uma holding de co-controle das duas aéreas pode ser só o primeiro passo de um negócio mais ambicioso da família Constantino. Ao menos é essa a aposta de alguns gestores e analistas que acompanham a empresa e veem a transação ajudando a transformar a Gol numa companhia mais global e menos local.

    “Num primeiro momento, é estratégia de defesa. As companhias juntas se fortalecendo para retomar o crescimento depois de atravessar a pandemia e ter que lidar com custo caro de combustível”, disse um gestor de fundo de ações. “Mas o histórico da Avianca pode favorecer uma posição acionária mais relevante para os acionistas da Gol num futuro próximo.”

    Grande parte dos acionistas atuais da Avianca são credores que foram praticamente forçados a topar equity na recuperação judicial para o dinheiro não virar pó, mas que não tem o perfil de investidor de longo prazo na América Latina, notadamente a Elliott e em certa medida a South Lake.

    Para fechar o acordo que forma a Abra, parte do grupo de acionistas da aérea colombiana se comprometeu a injetar capital extra no negócio – mas ainda de olho na porta de saída. A Abra vai receber aporte de US$ 350 milhões de investidores financeiros e ficará sediada no Reino Unido, com capital fechado por enquanto.

    A aérea dos Constantino anunciou em fevereiro uma capitalização por parte da American Airlines em fevereiro, no montante de US$ 200 milhões, como parte de um acordo de compartilhamento de voos.

    A United Airlines, que também é acionista da Avianca e não fez parte do acordo, já sinalizou a intenção de sair do negócio – parte de suas ações veio da execução de garantias dos irmãos Efromovich, antigos donos da Avianca, há dois anos. Como tinha um acordo trabalhista que não a permitia assumir outras aéreas, a United passou seus direitos de voto à Kingsland, então um acionista minoritário da Avianca que teve papel estratégico na aliança anunciada hoje.

    A Kingsland pertence ao magnata salvadorenho Roberto Kriete, empresário que conduziu a expansão da aérea TACA, fundou a mexicana Volaris e está entre as maiores fortunas da América Central. Sua empresa se tornou a maior acionista da Avianca e Kriete será chairman da Abra. Diferentemente dos fundos que o acompanham no negócio, Kriete não teria interesse em sair do negócio tão cedo, segundo fonte que acompanhou a negociação.

    Constantino Junior será o CEO da Abra, que terá ainda co-presidentes, cadeiras que serão ocupadas por Adrian Neuhauser, que passou de VP financeiro a CEO da Avianca no ano passado, e Richard Lark, CFO da Gol. A Abra também terá participações acionárias na chilena Sky Airline e na Viva, que opera no Peru e Colômbia.

    Se os próximos passos societários ainda são especulações de mercado, a união de forças dos controladores quase dobra o alcance da companhia brasileira. A Avianca tem uma frota de 110 aeronaves (Airbus 320 e Boeing 787) que fazem 65 destinos nas Américas do Norte, Central e Sul, e Europa. A Gol opera 142 aeronaves, todas Boeing 737, com 110 mercados, segundo o relatório do final do ano da companhia.

    “A Avianca tem rotas internacionais que podem ser bastante interessantes para a Gol, que encontrava uma barreira virtual no Caribe e pode conseguir ir mais longe com a complementação também de aeronaves”, avalia Fulvio Delicato, consultor especializado em aviação, à frente da Aerospace Brazil. “À primeira vista parece um bom negócio para as duas companhias. Para os passageiros, ainda não sei.”

    Na bolsa, os minoritários da Gol foram do ânimo à cautela — as ações chegaram a subir 3% pela manhã, mas fecharam em queda de 2,76%. “Não está muito claro que efeito isso vai ter no médio prazo para os minoritários, já que a composição da holding descarta uma oferta por mudança de controle. O histórico da Gol não é dos melhores nessas discussões de governança, por isso a animação durou pouco”, avalia um gestor.

    Citi e Goldman Sachs publicaram análises preliminares sobre o assunto, considerando o anúncio positivo para Gol. Os dois bancos têm recomendação de compra da ação.

    Para a Avianca, a transação pode selar uma rara reestruturação bem-sucedida no setor. Depois que os irmãos Efromovich levaram a companhia à bancarrota, a perspectiva para a aérea era a pior possível. A falência foi decretada na operação brasileira e os credores assumiram a operação internacional em Chapter 11 — processo que ela conseguiu encerrar em dezembro do ano passado.

    Até pouco tempo os irmãos ainda sonhavam em reassumir o negócio, mas partiram para outra empreitada. Depois de sondar a Alitalia, abriram este ano a Aeroitalia, operadora italiana com seis aeronaves. “Faremos história”, disse German Efromovich à mídia italiana, em abril. No Brasil, viraram história.

    Fonte: Pipeline Valor

    Fusões e Aquisições

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