quarta-feira, janeiro 19, 2022
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    Por que o NYT vai pagar US$ 550 milhões por um site esportivo deficitário

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    Em seu maior negócio nos últimos 30 anos, o New York Times acaba de adquirir o site de notícias esportivas The Athletic por US$ 550 milhões. A transação foi revelada pelo site de negócios e tecnologia The Information.

    Com uma operação ainda deficitária, o principal ativo da The Athletic é sua carteira de assinantes. O site criado por Alex Mather e Adam Hansmann, executivos que se conheceram quando trabalhavam no aplicativo Strava, pode agregar 1,2 milhão de assinantes e novos leitores à tradicional publicação americana, embora com um tíquete médio sensivelmente menor.

    A base do The Athletic deve ajudar a CEO do NYT, Meredith Levien, a alcançar a meta de 10 milhões de assinantes até 2025 — no final do terceiro trimestre, eram 8,3 milhões, aponta o FT. Nos últimos anos, o jornal conquistou a maior carteira de leitores digitais do mundo para um site de notícias. A cobertura durante o governo Trump ajudou a impulsionar as assinaturas. O NYT está em operação há 170 anos e vale US$ 8 bi em bolsa.

    Ao contrário da maioria da concorrência, a publicação esportiva opta por conquistar a parte vital de suas receitas junto ao público, e não com anunciantes, mas o tíquete médio das assinaturas é bem menor que o do NYT (US$ 72 versus US$ 221 por ano). O NYT vem buscando renovar sua base de leitores, atraindo os consumidores de conteúdo digital, enquanto o site esportivo buscava um modelo que ajudasse a manter sua independência editorial e aproveitasse a ampla base de interessados no tema.

    Fundado em 2016 em São Francisco, na Califórnia, o Athletic ganhou espaço com coberturas amplas e quentes sobre times, tanto os profissionais quanto os universitários, dos EUA e do Reino Unido. Percebendo a crise editorial em jornais locais, com repórteres mal remunerados, Mather e Hansmann resolveram apostar num site próprio de olho em um público leitor costumeiramente fanático e sedento por conteúdo sobre os times do coração.

    “Vamos esperar que cada jornal local sangre e saia de cena, até que nós sejamos os últimos de pé”, disse Mather ao próprio NYT numa entrevista em 2017, lembrou uma reportagem publicada recentemente pela Puck.news — o site americano sobre negócios, poder e entretenimento revelou em dezembro que o NYT conseguiu exclusividade para negociar o M&A.

    O valor da transação com o NYT ficou abaixo da expectativa inicial dos fundadores do site esportivo. O Athletic queria US$ 800 milhões pelo controle da empresa — um valor que foi considerado bastante alto pelos investidores. O banqueiro Aryeh Bourkoff, da LionTree, assessorou o site na transação.

    Apesar da pretensão dos fundadores do Athletic, o múltiplo pago pelo NYT não é exatamente uma barganha. Considerando a receita projetada de US$ 77 milhões em 2021, o múltiplo fica em 7x. Em outro negócio gigantesco de mídia no ano passado, a Axel Springer adquiriu o Politico por cerca de US$ 1 bilhão, 5x a receita anual do site.

    O Athletic sofreu com a pandemia. Com a suspensão de boa parte dos campeonatos esportivos, o site perdeu leitura e precisou dispensar funcionários. A marca de mais de 1 milhão de assinantes fixos também custou caro ao site, cujo principal esforço é sempre atrair mais leitores.

    Em 2021, quando faturou US$ 77 milhões, o site queimou mais de US$ 35 milhões do caixa. Segundo o site The Information, o Athletic gastou cerca de US$ 95 milhões entre 2019 e 2020, ultrapassando os US$ 73 milhões que registrou em receita no mesmo período — em 2020, o site faturou US$ 47 milhões. Antes do negócio com o NYT se concretizar, o Athletic estimava ser rentável apenas em 2023.

    Para financiar a operação, o site realizou rodadas de investimento que, juntas, somam cerca de US$ 140 milhões até agora, de acordo com a Crunchbase. A firma de private equity TPG Capital e a Y Combinator estão entre os investidores. Na última rodada, The Athletic foi avaliado em US$ 530 milhões.

    Para o NYT, o negócio representa a maior aquisição desde a compra do Boston Globe, em 1993, de acordo com a firma de pesquisa Sentieo. Recentemente, o jornal também comprou a Serial Productions, de podcasts, por US$ 25 milhões. Em 2016, adquiriu o site de reviews de produtos Wirecutter, por US$ 30 milhões.

    Ainda não está claro como o negócio adquirido vai se relacionar com a seção de esportes do próprio NYT, que hoje conta com pouco mais de 35 jornalistas. O modelo do Athletic é intensivo em capital humano, com uma equipe de 600 jornalistas espalhados por Estados Unidos e Reino Unido – o que o deixou tão perto da notícia em tantas modalidades e cidades.

    Fonte: Pipeline Valor

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