sexta-feira, julho 30, 2021
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    Procon-SP notifica Apple, Samsung e outras fabricantes por violação de contas bancárias a partir de celular roubado

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    O Procon-SP notificou as empresas Motorola, Samsung e Apple, pedindo explicações sobre dispositivos de segurança disponíveis nos celulares para desbloqueio e acesso a informações. Segundo o órgão, há reclamações sobre quadrilhas que têm roubado aparelhos móveis com o intuito de acessar aplicativos de bancos instalados nos telefones e fazer transferências indevidas nas contas bancárias das vítimas.

    Entre os questionamentos estão como funcionam os sistemas de bloqueio, exclusão de dados de forma remota e rastreamento, oferecidos aos consumidores vítimas de furto/roubo de aparelhos, entre outras informações. As empresas têm até o dia 22 para responder aos questionamentos do Procon-SP.

    A Motorola informou que recebeu o ofício do Procon nesta quinta-feira e analisará os questionamentos para retorno no prazo solicitado.

    Já a Samsung informoua que recebeu a notificação e que responderá ao Procon no prazo adequado. A companhia reforçou “seu comprometimento com a proteção dos dados pessoais dos consumidores e diz que segue aprimorando suas ferramentas para garantir a segurança de seus usuários cumprindo com as leis brasileiras”. A Apple ainda não se pronunciou.

    O administrador Augusto Lopes, de 48 anos, foi uma das vítimas. Ele teve o celular roubado na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Antes que ele conseguisse se comunicar com o banco, os bandidos conseguiram acessar um de seus aplicativos bancários e retirar boa parte dos recursos da poupança que ele fazia para a filha.

    Sem cancelar operação

    Quando conseguiu pedir o bloqueio ao banco, a instituição financeira informou que não havia detectado irregularidades e que não devolveria o montante transferido por meio de Pix, meio de pagamentos instantâneos em que não é possível cancelar a transação:

    — Eles são realmente muito especializados, porque o acesso ao meu celular é feito com senha, e o acesso ao aplicativo do banco é feito com senha e biometria. Mesmo assim, eles conseguiram o acesso — afirmou Lopes, acrescentando que pretende acionar a instituição financeira e a empresa fabricante do celular.

    No Rio de Janeiro, foram registrados 1.113 roubos de celulares somente no mês de abril, segundo dados mais atualizados do Instituto de Segurança Pública (ISP). O número é 13,5% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Mas na comparação com os quatro primeiros meses do ano, houve queda de 22% nos registros de janeiro a abril de 2021, em relação a 2020.

    Ainda assim, houve 5.230 casos de aparelhos roubados. A Polícia Civil não informou se há investigações em andamento sobre quadrilhas especializadas em hackear os aparelhos de celular roubados.

    Quadrilhas especializadas

    De acordo o diretor-executivo do Procon-SP, Fernando Capez, embora ainda não haja estatísticas oficiais sobre o crime, quadrilhas especializadas em roubo de celulares agora não estão mais interessadas em vender os aparelhos.

    Capez diz que elas, com o auxílio de hackers, estão burlando os dispositivos de segurança dos aparelhos e mesmo os sistemas de checagem dos próprios bancos, conseguindo acesso aos aplicativos bancários.

    — O Procon já tomou conhecimento de uma quadrilha de receptadores de celulares cujo objetivo é roubar o dinheiro das vítimas por meio do acesso à conta bancária. Isso está sendo feito por meio de um exército de hackers — afirmou o diretor-executivo do Procon-SP.

    Ainda de acordo com Capez, os criminosos burlam sistemas sofisticados de acesso aos aparelhos, buscam senhas em redes sociais ou bloco de notas, ou utilizam outros mecanismos para acessar as contas bancárias com o aparelho roubado. Ele alerta que é fundamental comunicar ao banco o roubo do aparelho imediatamente para que a instituição financeira não permita qualquer tipo de transação na conta:

    — Agora, há quadrilhas especialistas com hackers que puxam os dados dos aparelhos e fazem transferências via Pix, já que o Pix é instantâneo e não há como voltar.

    Ele alerta:

    — No entendimento do Procon-SP, a partir do momento em que o cliente comunica a instituição financeira sobre o fato, ela deve adotar providências.

    A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ainda não informou se as instituições financeira estão adotando medidas para aumentar a segurança dos aplicativos e dos usuários.

    Fonte: O Globo

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