quarta-feira, janeiro 19, 2022
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    Quem vai ficar com a Amil?

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    A eventual venda da Amil pela UnitedHealth seria uma transação transformacional para os dois compradores tidos como favoritos – a Rede D’Or e a Dasa – mas também pode redesenhar a paisagem do setor de saúde suplementar como um todo.

    A disputa – num momento em que as ações do setor de saúde estão perto das mínimas históricas – coloca em lados opostos as duas famílias mais ricas da saúde no Brasil: os Moll de um lado, e os Bueno do outro.

    Na Dasa, o CEO Pedro Bueno tem a chance de quase dobrar seu negócio hospitalar em termos de número de leitos – hoje, a Dasa tem 16 hospitais e 3,7 mil leitos – além de dobrar a aposta em sua tese de ecossistema de saúde, que ainda enfrenta ceticismo no mercado.

    Já na Rede D’Or, que tem 63 hospitais e 10 mil leitos, Jorge Moll estaria comprando o último filé mignon do setor e se isolando ainda mais na liderança da indústria hospitalar.

    Ainda assim, a transação não será simples, já que as três empresas estão bastante concentradas no Rio e em São Paulo. O CADE deve ser um grande fator.

    Para os Bueno, o negócio tem uma simbologia a mais: a família tem a chance de recomprar a empresa criada por Edson Bueno e sua mulher Dulce Pugliese – muito provavelmente por uma fração do valor em dólar.

    Em outubro de 2012, Edson e Dulce venderam o controle da Amil para a UnitedHealth, que na época pagou R$ 10 bilhões (US$ 4,9 bi no câmbio de então) por 90% da empresa. (Os Bueno continuaram donos de 10% por mais cinco anos.)

    A informação de que a UnitedHealth mandatou o BTG Pactual para a venda da Amil foi publicada hoje pela Agência Estado e pelo colunista Lauro Jardim pouco antes do Natal.

    As conversas já acontecem há meses com os principais players do setor.

    A Amil é um conjunto de ativos que reúne 18 hospitais e uma operadora de planos de saúde com 5,7 milhões de beneficiários. A rede de hospitais – que inclui nomes como o Hospital Samaritano e o Hospital Paulistano – tem 2,7 mil leitos.

    Assumindo um valor de R$ 2 milhões por leito, somente a operação hospitalar poderia valer R$ 5,4 bilhões, sem falar num prêmio por crescimento potencial. (Além disso, como os leitos são concentrados no Rio e em São Paulo, eles podem valer mais. A Mater Dei anunciou esta semana uma aquisição em Goiânia a R$ 1,6 milhão por leito.)

    À primeira vista, analistas acham que será preciso fatiar a operação para vender a empresa. Como Dasa e Rede D’Or muito provavelmente têm interesse apenas nos hospitais, a operação pode repetir o playbook que a Rede D’Or usou na compra da Paraná Clínicas – uma operadora verticalizada dona de um hospital e uma carteira de plano de saúde.

    Numa transação casada, a Rede D’Or ficou com o hospital e em seguida passou a carteira de saúde para a SulAmérica.

    Além da própria SulAmérica, os planos corporativos da Amil podem interessar à Bradesco Saúde ou à Porto Seguro.

    Mas, se estiverem dispostos a ousar, a transação oferece a ambos os potenciais compradores a oportunidade de criar uma alternativa à crescente hegemonia do bloco Hapvida-Intermédica, cujo modelo verticalizado de saúde está ganhando share de maneira espetacular graças a seus preços mais acessíveis.

    “A Rede D’Or sabe que o que a trouxe até aqui não é o que vai levá-la para frente nos próximos anos,” diz uma fonte do setor. “Aquele modelo de ‘a operadora que lute’ está se esgotando. Quando Bradesco e SulAmérica perdem clientes para as verticalizadas, isso ameaça a saúde das redes de hospitais no longo prazo.”

    Neste sentido, o comprador da Amil poderia escolher manter a operadora de saúde dentro de casa – verticalizando-a com seus hospitais mas continuando a atender outros planos de saúde – dando origem assim a um novo player verticalizado capaz de se contrapor a Hapvida-Intermédica.

    Para a UnitedHealth, a decisão de venda vem depois de uma década de surpresas desagradáveis e esqueletos inesperados.

    Depois de sangrar bilhões de reais com os planos de saúde individuais, a UnitedHealth pagou R$ 3 bilhões em dezembro para se livrar da carteira tóxica.

    (Os planos individuais têm seu reajuste regulado pela ANS, enquanto nos corporativos o reajuste é livre. Como a ANS historicamente autoriza reajustes abaixo da chamada ‘inflação médica’, os planos individuais conseguem o milagre de transformar bilionários em milionários.)

    Fonte: Brazil Journal

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