quarta-feira, agosto 12, 2020
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    Reação forte no 2º tri pode tirar fôlego na economia no semestre, diz BNP

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    Nas estimativas atuais do BNP Paribas, o PIB do Brasil deve recuar 14% no segundo trimestre, ante os três meses anteriores, com crescimento de 9% no terceiro trimestre e desacelerando para alta de 2,2% no último período do ano. Nesse cenário, a economia brasileira se contrairia 7% em 2020, para crescer 4% em 2021.

    “Uma parte do crescimento de 9% no terceiro trimestre contava com uma recuperação forte em junho e julho. Se a recuperação começou em maio, o segundo trimestre fica menos negativo, mas o terceiro também fica menos positivo. Isso pode mudar a dinâmica para 2020 e 2021. Pode ser que a economia caia menos, mas também recupere um pouco mais lentamente”, explica Arruda.

    Mais cedo, o IBGE divulgou que o volume de vendas no varejo ampliado — que inclui o comércio de veículos e material de construção, além de outros oito ramos — cresceu 19,6% em maio, ante abril, a maior alta da série histórica iniciada em 2003. O resultado ficou acima da mediana das estimativas de analistas de consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, de uma alta de 7,2% no mês.

    Pensando até mesmo no cenário global, Arruda afirma que o pior para os países, em termos econômicos, parece ter passado, “mas a recuperação não vai ser tão rápida quanto pode parecer nos próximos três meses”, quando números de atividade devem vir mais fortes devido à baixa base de comparação com o segundo trimestre. Para o quarto trimestre, as expectativas são de altas menos pronunciadas nas economias.

    No caso do Brasil, a recuperação será acompanhada ainda por um debate intenso sobre a questão fiscal, acrescenta Arruda. “Vamos ter de enfrentar a tentação do gasto público. Neste ano, houve intervenção mais forte de políticas monetária e fiscal, mas, olhando para o ano que vem, esse debate tem que passar e devemos voltar às discussões de austeridades de um lado e, de outro, da agenda de reformas”, afirma o economista.

    Arruda fala em uma “agenda menos chamativa”, de mudanças aparentemente pequenas em termos regulatórios, mas que podem fazer efeito até mesmo num prazo mais curto. “São reformas setoriais, como a aprovação do marco do saneamento, discussões relevantes no mercado de gás, cabotagem, estradas. Esse ambiente regulatório mais simples vai ser fundamental para que o país enfrente a recuperação em um ambiente mundial de juros baixos, porque se os juros estão baixos no Brasil e lá fora, as oportunidades de longo prazo virão desses investimentos em infraestrutura”, afirma. “Isso parece para o médio prazo, mas já começa a gerar um ambiente muito positivo.”

    Existem alguns riscos para o cenário do BNP. Um deles, por exemplo, seria uma segunda rodada de fechamento global das economias, por causa da pandemia, ainda neste ano. Nesse caso, a projeção de queda do PIB brasileiro passaria de 7% para 10% em 2020 e não haveria crescimento em 2021, mas nova contração, de 1%. “Um segundo fechamento da economia global geraria perdas duradouras porque algumas empresas e setores que sobreviveram a esse primeiro processo e estariam na tentativa de recuperação poderiam não conseguir sobreviver novamente”, afirma Arruda.

    Outro risco está no cenário político doméstico. Segundo o economista-chefe, há uma postura um pouco mais pragmática do Congresso brasileiro para tocar essa “agenda de reforma parcial”, mas isso depende de um ambiente um pouco mais estável, ele diz. “Se houver aumento da incerteza, essa agenda mais positiva para o crescimento atrasa, a recuperação atrasa, a decisão dos empresários de fazer novos investimentos e contratações também tende a atrasar. Os riscos políticos podem atrapalhar a projeção”, afirma.

    Exige atenção ainda o cenário fiscal. O BNP projeta para o Brasil, por ora, um déficit primário de cerca de 10% do PIB neste ano, mas que pode ficar mais ao redor de 11%, segundo Arruda, a depender de como serão os novos gastos para o combate à pandemia. A relação dívida bruta/PIB ficaria em torno de 93% neste ano e 95% no próximo. “A mensagem sobre para onde isso vai, se vamos subir acima de 100% ou se vamos procurar a estabilidade, vai ser fundamental.”

    Parte da discussão fiscal que virá após a fase mais aguda da crise retomará temas como a sustentabilidade do teto dos gastos, diz Arruda. Ele afirma não ver com bons olhos, no entanto, uma discussão sobre suspender o mecanismo. “Esse é o momento em que o teto de gastos tem de ser testado. Ele tem uma dinâmica diferente do resultado primário, em que, se o limite não for respeitado, pode-se incorrer em crime de responsabilidade. O teto tem outra lógica, ele já previu que, se precisar cruzar essa fronteira, há gatilhos automáticos para ajustar as contas públicas. Se precisar, estoura o teto e os gatilhos entram em vigor e trazem para baixo”, afirma.

    Fonte: Valor

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