quarta-feira, junho 23, 2021
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    Rede D’Or: o megaprojeto de R$ 1,5 bi para mudar o mapa da saúde

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    Quando a Rede D’Or veio para a B3, em dezembro do ano passado, a grande dúvida era qual força e qual velocidade a empresa teria para manter crescimento depois da trajetória apoteótica na última década. Cinco meses depois, um único projeto, no valor de R$ 1,5 bilhão, na capital paulista, vem traduzir os planos da família Moll para o negócio. “O valor equivale a 20% do que a empresa tem de orçamento para expansão orgânica nos próximos anos”, explica Paulo Moll, em entrevista exclusiva ao EXAME IN.

    A mega empreitada vai mexer com o mapa de saúde na cidade — o que já não é pouco. Mas, muito mais do que isso: pode levar o grupo D’Or a se próximar dos grandes centros de excelência em saúde, como Albert Einstein e Sírio Libanês. Hoje, a rede já é absolutamente reconhecida pela sua hotelaria e infraestrutura tecnológica. Mas, agora, quer cada vez mais ser percebida pelas frentes de conhecimento e medicina, propriamente.

    A companhia acaba de levantar R$ 1,8 bilhão na segunda oferta de ações em cinco meses, que girou um total de R$ 4,5 bilhões. A oferta pública inicial (IPO) movimentou R$ 11,4 bilhões, dos quais R$ 8,5 bilhões foram para o caixa.

    Todos os movimentos do mega projeto de R$ 1,5 bilhão são em torno da unidade original do Hospital e Maternidade São Luiz, na esquina da Avenida Santo Amaro, e muito próximo da Avenida Presidente Juscelino Kubitshek. Com isso, o grupo posiciona o que deve ser sua operação de maior destaque no coração da classe A paulista — no meio dos bairros Vila Nova Conceição, Itaim-Bibi, Jardim Luzitânia, Moema, Vila Olímpia e ainda dos Jardins. Apesar de terem unidades de diagnóstico e atendimento inicial nessas regiões, Einstein e Sírio estão mais afastados. Para completar, tudo bem pertinho do Aeroporto de Congonhas.

    Há dois anos, o Rede D’Or ergueu o Vila Nova Star ao lado da unidade São Luiz, um empreendimento de R$ 350 milhões, com 90 leitos, dentro do conceito seis estrelas de atendimento. Agora, vem a segunda torre, com 12 andares, onde funcionará um centro para tratamentos de alta complexidade e oncologia: 96 leitos e mais 30 posições de UTIs, além de dez salas cirúrgicas. As obras devem ser concluídas até o fim de 2022. Para quem acha a proximidade com o aeroporto pouco relevante, Moll dá uma informação: “mais ou menos, 40% dos pacientes que passaram pelo Vila Nova Star até agora são de fora de São Paulo.”

    Nesse período de dois anos, o primeiro Vila Nova Star já realizou 31 mil atendimentos, 4,8 mil cirurgias, 11 mil tratamentos de oncologia, além de exames e emergências. Para dar conta do movimento, um prédio só de garagens será erguido na rua de trás do hospital.

    Por fim, a icônica Maternidade São Luiz, que hoje é junto do hospital original, vai mudar de endereço (não para muito longe). A estrutura que deu as boas-vindas a muitos paulistanos vai passar por um retrofit e se transformar em um centro de excelência em transplantes, mantendo seus atuais 100 leitos. Uma nova maternidade, no melhor estilo seis estrelas do grupo, vai ser erguida no mesmo bairro, a Vila Olímpia, quase em frente ao Shopping JK Iguatemi, e no lugar de 100 leitos, 130, na Rua Helena.

    O empreendimento todo já está dando o que falar na classe médica. E há comentários para todos os lados a respeito do esforço de atração de talentos médicos para o grupo — inclusive com negociação para repatriação de brasileiros respeitados que trabalham com transplantes fora do país. Sobre isso, porém, Moll guarda segredo. “Ainda não é hora de falar do assuntos. As conversas ainda estão em andamento”, limita-se ele a dizer e sem citar nomes.

    Quando construiu a primeira torre Star naquela unidade, o Rede D’Or levou Paulo Hoff para coordenar a oncologia, que até então era vinculado ao Sírio Libanês. Ao EXAME IN, Hoff comentou que todo esse projeto será uma importante fonte de atração de talentos e que vai colocar o Brasil em posição de destaque internacionalmente.

    Além do oncologista, também somou à equipe o urologista Miguel Srougi, o cirurgião Antônio Luiz Macedo (que operou o presidente Jair Bolsonaro), e a cardiologista e intensivista Ludhimila Hajjar (que recebeu convite para integrar o Ministério da Saúde).

    Uma fatia maior do bolo

    Quando a Rede D’Or chegou à B3, tinha uma participação de mercado da ordem de 7% e um plano de expansão de 32 unidades (entre novas e aumento das existentes), com 5.200 leitos novos. “Em dezembro, atualizamos nossos planos para 43 projetos e um aumento de 6.600 leitos”, enfatiza Moll. Na perspectiva do executivo, só com a expansão orgânica, a participação de mercado vai passar para algo como 13% — quase duplicar — até 2025.

    “Aqui, só estou falando dos projetos orgânicos. Se pensar em aquisições, nem dá para projetar”, enfatiza ele, lembrando que foram dez aquisições desde outubro. A rede tem hoje 9 mil leitos instalados e vai acrescentar mais 6,6 mil nos próximos anos. Enquanto Hapvida e Notre Dame Intermédica aguardam aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para consolidar um grande grupo nacional verticalizado, de planos de saúde até a cirurgia, dedicado à classe C, Rede D’Or segue com o pé no acelerador em investimentos em novos leitos e em aquisições, com foco nas classes A e B.

    O executivo destaca que o setor de saúde do Brasil é excessivamente pulverizado e que 70% dos hospitais têm até 50 leitos. Esse tamanho, segundo ele, não oferece ganho de escala para sobrevivência dos negócios a períodos de privações como foi a covid-19 no ano passado. “O Brasil sofre com essa dificuldade de escala e não o contrário. Nos últimos dez anos, o setor privado perdeu cerca de 500 hospitais”, ressalta o executivo.

    Além do crescimento orgânico, a Rede D’Or tem planos agressivos de expansão. Desde outubro de 2020, foram mais de 10 aquisições. A última, anunciada no comecinho de junho, foi o Hospital Serra Mayor, na Zona Sul da Capital Paulista, num total de R$ 130 milhões.

    Fonte: Exame

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