terça-feira, dezembro 1, 2020
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    Retomada do varejo vai depender da confiança dos consumidores

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    “Há uma tendência da raça humana de querer voltar a uma normalidade e ir para a rua, mas enquanto não houver uma sensação de segurança, isso não vai acontecer e isso nos dá um horizonte mais demorado”

    Conhecido por sua experiência no setor de varejo, o fundo de private equity (que compra participação nas companhias) Advent International está enfrentando os efeitos da crise trazida pela pandemia em diferentes frentes nessa área. Com presença no Brasil desde 1997, quando Patrice Etlin abriu o escritório no Brasil, o Advent é um dos fundos mais ativos do País e investe em redes que estão fechadas, lojas que fecharam e abriram e outras que ficaram abertas o tempo todo. Com essa sensibilidade, Etlin é categórico em dizer: a retomada vai depender mais da confiança dos consumidores do que de qualquer iniciativa do poder público.

    Tijolos. Na largada da crise, o fundo tinha empresas que fecharam as portas da noite para o dia, como a Allied (que detém, por exemplo as franquias das lojas Samsung no País), a Restoque (dona das marcas Le Lis Blanc e Dudalina, dentre outras). Outras empresas, como a rede de materiais de construção, Quero-Quero e a Fortbrás, de autopeças, foram fechadas no início da quarentena, mas depois foram consideradas atividade essencial e puderam abrir as portas. “Na Fortbrás e na Quero-Quero vimos a volta”, diz ele. “Em materiais de construção, voltou um pouco abaixo do que no ano passado, mas de maneira consistente.” No Sul, quando as lojas de eletroeletrônicos foram reabertas, houve um efeito “champagne”, mostrando demanda represada. No entanto, ainda é cedo para estabelecer uma tendência.

    Grande. Já o BIG, ex-Walmart, que de cara foi declarado como varejo essencial, não teve seu funcionamento interrompido. Mas nem por isso manter a operação em funcionamento foi simples, por ter sido necessário ajustar o dia a dia por questões sanitárias e de distanciamento físico. “Estamos vendendo acima do orçamento (previsto)“, disse. “Teve a questão da estocagem (das famílias), que continuou na quarentena e principalmente nos hipermercados, um formato que vinha em declínio.”

    Diferente. Ao contrário de crises anteriores, a atual, gerada pela pandemia do novo coronavírus, terá uma saída mais lenta, já que deverá ocorrer apenas quando o consumidor voltar a se sentir seguro, disse o sócio do fundo de private equity Advent International para a América Latina, Patrice Etlin, em ‘live’ promovida pelo BTG Pactual, conduzida pelo presidente da instituição financeira, Roberto Sallouti. “Há uma tendência da raça humana de querer voltar a uma normalidade e ir para a rua, mas enquanto não houver uma sensação de segurança, isso não vai acontecer e isso nos dá um horizonte mais demorado”, concluiu.

    Ganhou tempo.  Etlin comentou que a crise da pandemia também, diferentemente de outras, foi global, e machucou a economia real de uma forma muito rápida, tanto do lado da oferta, quanto da demanda. Por isso, a presença internacional do Advent, com portfólio de investimentos em todo o globo, ajudou a identificar rapidamente os efeito da crise e permitiu uma preparação mais célere nas carteiras. “A carteira que tínhamos na China em janeiro estava sendo afetada e já vimos como iria afetar o portfólio global”, comentou o executivo. Nas investidas no Brasil, por exemplo, já em fevereiro, foram tomadas medidas de preservação de caixa e iniciativas de contratações e investimentos foram congeladas. “E em março veio o mergulho na crise e implementamos o modo ‘war room’ (sala de guerra)”, comentou.

    Também ganhou. Outra empresa do portfólio com muito boa performance nesse momento, disse, está sendo observado na corretora Easynvest, que vem registrando, desde início da crise, forte entrada de recursos e novos clientes, com muitos indo para a renda variável, especialmente vindo do cliente do varejo. “Surpreendente a resiliência do cliente do varejo”, disse. Essa entrada na bolsa, comentou, veio na esteira da percepção de que a bolsa está barata, o que segundo ele, contudo, é difícil de se medir.

    Desafio da internet. Na Yduqs, ex-Estácio, comentou, os desafios também foram grandes, com a necessidade de dar aula online para os milhares de alunos que antes tinham aulas presencialmente. Algo que precisou ser feito, contou, foi negociar com as operadoras de internet, como Oi e Vivo, pacotes acessíveis de internet aos alunos, para que os mesmo tivessem condições de terem aula. “Foram desafios operacional relevantes”, disse.

    Vencedores. Agora, segundo Etlin, aos poucos, o olhar começa a sair do ‘war room’ para um estado de ‘win room’ (sala vencedora, na tradução livre). “A agenda no portfólio, ainda não nas empresas altamente impactadas, mas nas de médio e baixo impactos, estamos olhando para além da crise, para onde há oportunidade de ganho de market share, tanto orgânico como via M&A (fusão & aquisição, na sigla em inglês). Existe oportunidades interessantes dentro dos nossos setores para olhar compras pontuais”, disse.

    Online. Agora, outra questão muito relevante nos negócios de todas as empresas é o digital e como será a estratégia para reter esse novo cliente. “Quem é esse cliente que antes não estava em nosso cana digital é uma agenda muito importante”, afirmou.

    Preço, em primeiro lugar. Etlin disse que uma das principais características dos investimentos do fundo é a grande disciplina no preço, visto que o valor pago é a única coisa que, à frente, não é possível de se mudar. “Podemos mudar posicionamento, produtos, até o nome, como fizemos com o Big, mas nunca o preço que pagamos”, disse.

    Baque. Antes da eclosão da crise, o Advent tinha duas empresas investidas na fila para abertura de capital, a Allied e a Quero-Quero.

    Fonte: https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/20100-2/

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