segunda-feira, março 1, 2021
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    Setor de agrotóxicos do Brasil vê alta superior a 10% na receita em 2021

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    A indústria de agrotóxicos do Brasil prevê aumentar em mais de 10% a receita em 2021, após queda do faturamento em 2020

    A alta deve acontecer graças ao investimento dos produtores em safras de soja, milho e cana, além dos repasses de custos das matérias-primas para os preços, segundo Julio Borges, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), que representa as fabricantes de agroquímicos.

    Ele avalia que os ótimos preços de soja e milho, que lideram a demanda por pesticidas no país, devem impulsionar um aumento na área tratada com defensivos agrícolas na temporada 2021/22, que começa a ser plantada em setembro, contribuindo para o crescimento dos negócios.

    A recuperação acontece com a indústria reposicionando suas cotações já com um câmbio mais alto, após ter amargado problemas em 2020 com a disparada do dólar frente o real.

    Segundo o Sindiveg, de janeiro a dezembro de 2020, a perda cambial foi de 18,5% para o setor, que importa cerca de 95% de suas matérias-primas.

    Um sinal da melhora neste mercado são as vendas antecipadas de agroquímicos para 2021/22, que já atingiram entre 20% e 30%, bem acima dos 10% historicamente realizados até o final de janeiro.

    “A demanda espero mais uma vez crescente pelo aumento de área das principais culturas e pela lucratividade dos produtores. Com o valor que eles têm por uma safra, vão querer ser mais cuidadosos”, disse Borges, lembrando que pragas que atacam as lavouras têm ficado cada vez mais resistentes, o que exige aplicação de agrotóxicos.

    Ele destacou que nos últimos seis anos o Brasil tem crescido na média de 5% em área tratada com pesticidas.

    “Estou esperando algo superior ainda, estou esperando que a área de soja suba mais que subiu no ano passado”, disse Borges, ressaltando que a demanda da China tem sido tão forte que pode até gerar problemas de abastecimento.

    Borges explicou também que a alta no faturamento anual ocorrerá após uma recuperação “enorme” no preço dos agrotóxicos, o que acaba tendo impacto nos custos dos agricultores.

    “Devido à consistente variação cambial, não conseguimos fazer o repasse integral do aumento dos custos, algo que deve acontecer este ano”, afirmou o executivo, acrescentando que muitas companhias negociaram com menores margens ou fecharam o período com prejuízo.

    Ele observou que o setor lida atualmente com desafio de aumento de preços de matérias-primas da China de todos os insumos, bem como de custos com logística, que dobraram por escassez de contêineres e navios.

    “Todo negócio que fechamos em janeiro já tivemos impacto de custos, ninguém esperava impacto de custo agora, de matéria-prima e logística, e acho que o produtor quer se proteger disso”, comentou, em referência à antecipação de negócios registrada neste início de ano.

    Mais aplicações

    Em 2020, o faturamento da indústria no Brasil caiu 10,4%, para US$ 12,1 bilhões (R$ 64,4 bilhões, na cotação atual), apesar de os agricultores terem investido mais no controle de pragas, doenças e plantas daninhas e aumentado a área plantada na temporada 2020/21.

    A área tratada com agrotóxicos aumentou 6,9% no país em 2020 ante 2019, para 1,6 bilhão de hectares, de acordo com levantamento exclusivo encomendado pelo Sindiveg à Spark Consultoria Estratégica, que considera quantas vezes uma mesma área recebeu aplicações.

    O combate aos insetos envolveu maior área tratada em 2020. Foram mais de 413 milhões de hectares, cerca de 25% do total.

    Em seguida, aparecem os herbicidas, com cerca de 401 milhões de hectares (24%), e os fungicidas, com 306 milhões de hectares (19%). Outros 149 milhões de hectares receberam aplicações de produtos para o tratamento de sementes (9%), disse o Sindiveg.

    Principal cultura brasileira, a soja concentrou 48% do valor investido por agricultores em pesticidas: US$ 5,8 bilhões (R$ 31,3 bilhões). Em segundo lugar, aparece o milho, com 13% do total. Na sequência vêm a cana (11%), o algodão (10%), as hortaliças e frutas (4%), a pastagem e o café (ambos com 3%).

    Fonte: G1

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