sábado, julho 31, 2021
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    Yuca capta US$ 10 milhões para ir além do coliving

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    Fundada em 2019 por Eduardo Campos, Rafael Steinbruch e Paulo Bichucher, a Yuca surgiu apostando no modelo de coliving, com a oferta de apartamentos compartilhados para locação. Depois de consolidar esse formato, a proptech busca agora ocupar novos espaços no mercado imobiliário.

    Com essa orientação, a startup anuncia nesta terça-feira, 22 de junho, um aporte série A de US$ 10 milhões, liderado pelo Monashees, que já havia participado da rodada de seed de US$ 6 milhões da novata. Outro nome que já investia na companhia e integra essa captação é o fundo ONEVC.

    A nova rodada marca ainda a entrada na operação do fundo brasileiro Terracotta Ventures; do fundo americano Foundation Capital, que já investiu em companhias como Netflix; e da Tishman Speyer, empresa americana de investimentos no setor imobiliário, com sede em Nova York.

    “Nós começamos muito focados em coliving e viramos, de certa forma, uma referência desse segmento”, afirma Campos, cofundador e CEO da Yuca, ao NeoFeed. “Mas entendemos que, para ganhar escala, precisamos ser multiproduto e atender vários momentos do ciclo de vida dos usuários.”

    Até pouco tempo, a atuação da Yuca se resumia à compra de apartamentos na capital paulista que, depois de passarem por uma reforma e já mobiliados, eram destinados à locação. Nesse formato, cada inquilino tem o direito a um quarto individual e as demais dependências são compartilhadas.

    Desde o fim de 2020, no entanto, a proptech vem testando um novo modelo, centrado em apartamentos e studios individuais, com um a dois quartos. Dar musculatura e velocidade a essa oferta é justamente o foco dessa nova etapa da companhia.

    Nessa equação, o montante captado no aporte já tem um destino certo. A Yuca vai aplicar 100% dos recursos para ampliar sua equipe, especialmente nas áreas de tecnologia e produto. O plano é dobrar o quadro composto atualmente por 100 profissionais no prazo de 12 meses.

    Outra novidade é a aposta em projetos de full building, ou seja, em prédios inteiros para locação. No caminho para concretizar essa proposta, a Yuca está estabelecendo parcerias com incorporadoras. Na prática, essa associação envolve duas modalidades.

    Na primeira delas, a parceira já tem um empreendimento pronto, que será destinado parcialmente ou totalmente à locação. A Yuca responde pela comercialização e pela gestão dos empreendimentos em operação.

    Já na segunda opção, a proptech também cuida de uma etapa anterior, entrando com o financiamento das obras. Nas duas alternativas, com o projeto pronto, a startup cobra uma taxa mensal, que engloba a gestão do empreendimento e um valor atrelado à taxa de ocupação do imóvel.

    Rafael Steinbruch (à esq.), Eduardo Campos e Paulo Bichucher, os fundadores da Yuca

    A estreia do formato aconteceu com um prédio na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, em parceria com a Engetécnica, com um aporte de R$ 12 milhões da startup. Outro acordo, dentro do primeiro modelo, envolveu a Gafisa e um imóvel lançado em Santa Cecília, no centro da capital paulista.

    “Há seis meses, os apartamentos individuais representavam basicamente zero da nossa oferta”, afirma Campos. “Hoje, essas unidades já respondem por 30% do portfólio e a tendência é que sejam a maioria nos próximos doze meses.”

    Portfólio

    Atualmente, a Yuca tem mais de 500 quartos/unidades em seu portfólio, considerando apartamentos individuais e compartilhados, que somam cerca de R$ 150 milhões sob gestão. A meta é quadruplicar essa cifra nos próximos doze meses.

    A faixa etária média dos moradores é de 28 anos, com renda média entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, sendo 60% mulheres. A taxa de ocupação está em 90%. Os imóveis estão localizados próximos à região da Avenida Paulista, no centro expandido e em bairros como Pinheiros, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Brooklin.

    No caso dos apartamentos compartilhados, a startup oferece, no mínimo, 20 metros quadrados para cada pessoa, com o aluguel variando entre R$ 1,8 mil e R$ 2,2 mil. Já nas unidades individuais, o tamanho dos imóveis fica entre 22 e 100 metros quadrados, a um valor de R$ 2,2 mil a R$ 4,5 mil.

    Essas cifras incluem um pacote com condomínio, IPTU, contas de água, luz e internet, e um serviço semanal de limpeza. Os contratos têm duração padrão de 30 meses, mas a startup não cobra multa caso o locatário queira deixar o imóvel a partir do sexto mês do acordo.

    Para financiar essa nova proposta, a Yuca estruturou um fundo imobiliário, em novembro de 2020, por meio do qual a empresa captou R$ 40 milhões. “Estamos preparando um follow on desse fundo”, diz Campos. “E temos alguns projetos com escritórios de agentes autônomos, ligados a corretoras, nos quais levamos oportunidades de investimentos para os seus clientes.”

    A Yuca tem mais de 500 unidades em seu portfólio, que somam cerca de R$ 150 milhões sob gestão

    A empresa tem cerca de 15 novos projetos de full building em negociação com incorporadoras. “Com a pandemia, o mercado viu a necessidade de ressignificar muitos ativos”, conta Campos. “Muitos desses projetos são retrofits de prédios comerciais que vão ser transformados em residenciais.”

    Para Alberto Aizental, coordenador do curso de Desenvolvimento de Negócios Imobiliários da FGV, a guinada no modelo da Yuca é positiva. “Além de ser um nicho, o coliving tem um desafio de fazer com que pessoas que geralmente não se conhecem assumirem um contrato e dividirem um espaço”, afirma.

    Ao mesmo tempo, ele destaca que o mercado oferecerá cada vez mais unidades pequenas, atreladas a serviços, que poderão ser alugadas por um dia, uma semana, um mês ou um ano. “As próprias incorporadoras deixarão de produzir para venda e começarão a produzir para esses novos modelos.”

    A Yuca não é, porém, a única empresa querendo ganhar terreno nesse cenário. Com alguns diferenciais em suas respectivas propostas, a relação inclui nomes como a Housi, spin-off da Vitacon, e a JFL Living, braço de locação da incorporadora JFL.

    Completam essa relação operações como a Nomah (antes conhecida como Uotel), comprada pela Loft, em 2020, e a mexicana Casai, que acaba de desembarcar no mercado brasileiro depois de captar um aporte de US$ 48 milhões em outubro de 2020, liderado pelo fundo Andreessen Horowitz.

    Fonte: Neofeed

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