sexta-feira, maio 20, 2022
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    A startup deles quase quebrou 9 vezes. Agora, capta R$ 23 mi numa Série A

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    Julio Herrera e Bruno Pelikan fundaram a Raboot em 2018 para levar inteligência artificial à logística. Após muita tentativa e erro, anunciam Série A com fundo do Bradesco

    O empreendedor Bruno Pelikan viu uma oportunidade ao ficar parado por horas numa estrada após a bateria do carro dele enguiçar certa vez.

    O perrengue de ligar para a seguradora, esperar o guincho, acionar o seguro e de fato resolver o problema mostrou a ele a enorme assimetria de informações envolvendo o setor de logística. Afinal, dá para prever o momento exato de um veículo deixar seu condutor na mão?

    A dúvida motivou a criação da Raboot, uma empresa de tecnologia dedicada a empregar inteligência artificial para cruzar uma porção de informações a respeito de uma operação logística a fim de fazer a coisa andar sem interrupções.

    O negócio aberto em 2018 está anunciando nesta quinta-feira a captação de 23 milhões de reais numa rodada Série A, que costuma ser a primeira na trajetória de uma startup com cheques vultosos e investidores de private equity. O aporte é liderado pela unidade de private equity e venture capital do banco Bradesco.

    Participam também a TegUP Ventures, fundo de tecnologia da transportadora Tegma, além de integrantes da Endeavor, rede global de apoio ao empreendedorismo. É a segunda captação da Raboot — em 2019, a empresa havia levado 3,2 milhões de reais.

    Quem são os clientes

    Entre os clientes da Raboot estão negócios com muito maquinário zanzando de um lado para o outro. As transportadoras são o filão principal — Tegma, Patrus estão entre elas.

    Em outra frente, empresas prestadoras de serviços automotivos, como a unidade da Porto Seguro responsável pela gestão de veículos com alguma avaria, ou mesmo a unidade auto da Creditas, unicórnio de empréstimo com garantias, também usam os serviços da Raboot.

    Na lista estão gigantes do agronegócio interessadas num bom uso de colheitadeiras ou ainda empresas da construção civil em busca de um canteiro de obras com 100% de eficiência — ou algo perto disso aí.

    Como funciona

    O software da Raboot, que funciona no modelo as a service (Saas), permite a um indivíduo colocar todo tipo de informação útil para a organização de uma frota.

    Entre os dados estão coisas do tipo estado de conservação dos pneus, quantidade de combustível em tanque, nível de cansaço do condutor e por aí vai.

    “A partir daí, a escalabilidade é praticamente infinita – quanto maior a frota de ativos, mais possibilidades – e o tempo é drasticamente menor para o retorno financeiro”, diz.

    Os dados podem ser colocados no sistema na mão ou então coletados em tempo real por sensores ou rastreadores conectados via APIs ao sistema da Raboot, responsável por dar as pistas sobre os pontos de melhoria.

    “Já conseguimos um índice de disponibilidade de frota de 99,64% em alguns clientes em que o benchmark era de 80%”, diz.

    Tentativa e erro

    Pelikan penou até encontrar o modelo de negócio da Raboot. “Quase quebrei nove vezes”, diz ele, um bacharel em Direito que largou uma carreira no desenvolvimento de produtos em multinacionais como a gigante de papel e celulose International Paper para empreender.

    No início do Raboot, há quatro anos, Pelikan apostou num serviço de otimização de frotas para veículos leves como o próprio carro enguiçado que o motivou a empreender. Em certo momento, a ideia foi criar um marketplace de serviços para logística, sem um Saas em si.

    A concorrência pesada de outros marketplaces com muito dinheiro para torrar na aquisição de clientes fez a ideia perder força.

    O jeito de ganhar dinheiro com um negócio em logística não estava muito claro no início, o que consumiu tempo e algumas das economias de Pelikan e do co-fundador Julio Herrera, consultor de projetos de tecnologia próximo a Pelikan na International Paper e hoje na função de responsável pelo desenvolvimento da tecnologia da Raboot.

    A monetização via assinaturas mensais de um Saas e o foco nos veículos pesados só vieram após meses de tentativas e erros. “A gente foi evoluindo ao longo do caminho”, diz.

    Expansão internacional

    O cheque recebido agora vai servir na expansão do time da Raboot, previsto para chegar a 100 até o fim do ano, o triplo do patamar atual.

    Uma expansão internacional está em vista. Atualmente, a Raboot monitora 2,8 milhões de veículos de 15.000 clientes.

    A grande maioria está no Brasil, mas há também gente da Argentina, Chile, Espanha, México e Colômbia monitorando frotas com a Raboot. A ideia é abrir escritórios nesses países para ampliar as vendas por lá.

    Fonte: Exame

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