sábado, outubro 24, 2020
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    Como funciona a economia de Belarus, a última planificada da Europa

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    Na capital de Belarus, Minsk, os laços estreitos com seu vizinho mais poderoso, a Rússia, podem ser observados na arquitetura e nos edifícios stalinistas.

    Mas esse não é o único vestígio da época em que o país estava sob a esfera de influência da hoje extinta URSS (União Soviética): sua economia permanece planificada, a última na Europa.

    Sob o rígido controle do presidente Alexander Lukashenko, que governa o país há 26 anos — e que venceu as eleições novamente em 9 de agosto, gerando uma onda de protestos, Belarus implementou um híbrido entre uma economia estatal e um mercado livre completamente aberto.

    A oposição e até a União Europeia descreveram o processo eleitoral como “fraudulento”.

    Esse sistema de “socialismo de mercado” significa, na prática, que setores como o industrial e o agrícola são quase totalmente controlados pelo Estado.

    No conjunto, as empresas estatais respondem por cerca de 50% do PIB (Produto Interno Bruto, ou a soma de riquezas de um país).

    O país iniciou esse caminho após o colapso da URSS, em 1991. Naquela época, todas as ex-repúblicas soviéticas enfrentavam uma profunda crise econômica.

    A essa altura, Belarus já arrastava as consequências da 2ª Guerra Mundial, que destruiu praticamente toda a sua infraestrutura, e da catástrofe da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, que deixou um quarto do território do país contaminado por radiação.

    Estado de bem estar social

    O país enfrentou o período pós-soviético com a introdução de controles administrativos sobre os preços e a taxa de câmbio.

    Além disso, subsídios e outros benefícios estatais se espalharam por toda a economia transformando Belarus em um Estado de bem-estar social na Europa Oriental.

    Por exemplo, a porcentagem de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza caiu em 18 anos de 41,9% para 5,6% em 2018, segundo dados do Banco Mundial.

    É uma das taxas mais baixas da Europa.

    Saúde e educação são públicas e gratuitas.

    Nos últimos anos, a despesa pública com pensões ultrapassou 9% do PIB, valor próximo da despesa média da União Europeia (11,3% do PIB).

    Em 2019, o país ocupou a 50ª posição entre 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano. Para efeitos de comparação, o Brasil ficou em 79º lugar.

    No entanto, vários organismos internacionais lembram que a produtividade do arcaico setor estatal é baixa e o salário médio gira em torno de 500 euros (R$ 3,5 mil) por mês.

    Aqueles que visitam suas cidades dizem que elas são limpas e organizadas.

    A taxa de desemprego entre seus 10 milhões de habitantes é baixa.

    E, no entanto, o crescimento econômico dos últimos anos foi descrito como “anêmico”, em torno de 1,5%, com o agravante de que dois riscos o rondam.

    O primeiro, o fim dos subsídios russos à energia.

    O segundo é a instabilidade política que “durará enquanto Lukashenko estiver no poder”, assinala Andrei Kazakevich, diretor do Instituto de Estudos Políticos “Political Sphere”, especializado em Belarus.

    Belarus é visto pela comunidade internacional como um país sem liberdades, no qual o presidente tenta controlar todos os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

    Em suas mãos também já está grande parte dos meios de produção do Estado. São estes os 4 pilares em que se baseia a economia do país:

    1. Minas de potássio

    Belarus é um país muito verde e plano.

    O ponto mais alto não ultrapassa 345 metros, mas seu subsolo é rico em potássio.

    O mineral é um dos elementos essenciais para a fabricação de fertilizantes ou medicamentos, por exemplo, e dá origem a mais de 50 compostos químicos muito úteis no dia a dia.

    Essa é uma fonte importante de dinheiro para Belarus, pois representa ingressos em moeda estrangeira.

    A empresa estatal Belaruskali produz 20% do potássio mundial anualmente.

    É o terceiro maior exportador global depois do Canadá e da Rússia e tem entre seus principais clientes China e Índia.

    “O fechamento das minas será um golpe para a economia e o governo”, disse o analista David Riley ao jornal britânico Financial Times.

    Outra ameaça que assombra a 78ª economia do mundo é sua dependência histórica dos subsídios russos à energia.

    2. Laços com a Rússia

    Belarus está geopoliticamente no meio da rivalidade entre o Ocidente e a Rússia.

    “É uma boa plataforma de entrada para os países da União Econômica Eurasiana (Rússia, Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão) que formam um mercado de 180 milhões de consumidores potenciais”, explica o Instituto de Comércio Exterior da Espanha.

    Devido à sua localização geográfica, Belarus é o território ideal para conectar a Rússia e o continente europeu.

    E Lukashenko tirou vantagem disso ao longo dos anos.

    O país se destaca pela quantidade de gasodutos e oleodutos que o atravessam, transportando recursos naturais da Rússia para a Europa.

    Seu papel no transporte de petróleo e gás, portanto, é fundamental.

    Para atrair o país para sua órbita e para longe da União Europeia, a Rússia está enviando petróleo e gás para Belarus em termos muito favoráveis, como parte de um acordo alfandegário bilateral.

    Mas recentemente a Rússia decidiu pôr fim a esse esquema, o que será um duro golpe para a economia de seu vizinho no futuro, já que tais recursos permitem manter seu Estado de bem-estar — Belarus refina parte do petróleo internamente e depois o revende mais caro na Europa.

    Vadim Mojeiko, analista do Instituto de Estudos Estratégicos de Belarus, diz acreditar que essa “chantagem russa continuará sem limites, especialmente enquanto Putin estiver no poder”.

    Além disso, a Rússia também é o maior credor de Belarus, possuindo quase 38% de sua dívida nacional.

    3. Agricultura

    Quando se fala de uma economia como a de Belarus, com um grande setor estatal, não se pode ignorar a agricultura, uma das prioridades do país, pelo menos em termos de gastos e emprego.

    E esse setor é muito reminiscente da era soviética: as propriedades agrícolas pertencem ao Estado, apenas pequenas parcelas foram privatizadas.

    O que se produz, explica o Escritório Econômico e Comercial da Espanha em Moscou, basta para “autossuficiência, portanto não representa grande parte do Produto Interno Bruto do país (7,5%)”.

    Mas o setor emprega mais de 9,7% da população.

    Tradicionalmente, as fazendas em Belarus eram coletivas, mas nos últimos anos as propriedades privadas começaram a ganhar espaço, embora no momento representem uma pequena porcentagem do setor.

    4. Videogames e software

    Outro dos pilares da economia do país é o setor de tecnologia.

    As empresas de desenvolvimento de software são bem conhecidas em todo o mundo e seu setor está repleto de histórias de sucesso.

    Você já jogou World of Tanks?

    É um dos 5 videogames mais lucrativos do mundo e com ele vieram outros da mesma saga: World of Warplanes e World of Warships são dois exemplos.

    Nasceu em Belarus uma das maiores empresas de videogame do mundo: a Wargaming.

    Você usa o Viber para fazer chamadas?

    Outro aplicativo “feito em Belarus”.

    Igual ao Juno, Maps.me ou MSQRD, este último comprado pelo Facebook e que permite ao usuário pôr diferentes máscaras em selfies ou chamadas.

    Belarus, ao contrário de outros países independentes da União Soviética, tem um setor de telecomunicações bem desenvolvido e um setor de tecnologia próspero na capital que emprega 2 milhões de pessoas.

    A exportação desses serviços está quase inteiramente nas mãos de empresas privadas.

    No entanto, “a agricultura controlada pelo estado e os setores industriais não são competitivos”, explica o instituto de pesquisa The Heritage Foundation, com sede em Washington.

    Além disso, o think tank diz, “novos investimentos estrangeiros não russos desapareceram essencialmente nos últimos anos, em grande parte devido ao clima de investimento desfavorável em Belarus.”

    O que os especialistas concordam é que Belarus precisa de uma mudança no modelo econômico, já que a atual dependência da Rússia ou dos auxílios estatais não é “sustentável”.

    Fonte: Uol

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