quarta-feira, janeiro 19, 2022
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    Rei do Pitaco levanta R$ 180 milhões para criar a ‘Draftkings brasileira’

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    O Rei do Pitaco acaba de levantar R$ 180 milhões para replicar no Brasil o que a gigante de apostas Draftkings fez nos Estados Unidos.

    Para isso, a startup está começando com um pequeno pedaço do negócio: um ‘fantasy game’ de futebol com apostas de curto prazo e prêmios em dinheiro.

    [Glossário para quem nunca jogou: Num fantasy game, o usuário escala um time virtual com jogadores de futebol da vida real, escolhendo atacantes, meias, zagueiros e o goleiro. O usuário em seguida ganha pontos dependendo de como esses jogadores performarem nas partidas da vida real. Exemplo: Se o jogador marcar um gol, são 10 pontos; se der uma assistência, 5, e assim por diante.]

    A rodada Série A foi liderada pela D1 Capital Partners — o hedge fund americano que já investiu na Robinhood e na Warby Parker — e teve a participação da também americana Left Lane Capital e da Globo Ventures.

    Também participaram da rodada a Kaszek e a inglesa Bullpen Capital, que já haviam investido no seed.

    Essa é a segunda rodada da empresa desde que ela foi fundada em 2019 por dois programadores aficionados por esportes: Mateus Dantas e Kiko Augusto.

    A companhia nasceu sem grandes pretensões. No início, os dois tocavam o negócio nas horas vagas entre o trabalho e o estudo, e captaram os primeiros usuários na base da insistência.

    Kiko e Mateus entravam nas redes sociais do Cartola — outro ‘fantasy game’ de futebol controlado pela Globo —, viam quem curtia e comentava os posts e mandavam mensagens no direct para apresentar seu novo jogo.

    “Para os poucos que respondiam, a gente explicava que queríamos montar o melhor ‘fantasy game’ do Brasil e que estávamos buscando feedback de pessoas que gostavam de esportes,” Mateus disse ao Brazil Journal. “Depois desse pitch, a gente colocava eles num grupo de Whatsapp e começa a entender o que eles queriam.”

    Foi a partir dessas interações que os dois programadores criaram o Rei do Pitaco. O modelo é bem parecido com o do Cartola, mas há diferenças.

    “O Cartola funciona num modelo de temporada inteira e só tem o Brasileirão. Você vai acumulando pontos e só no final da temporada eles definem os vencedores. O Rei do Pitaco são jogos de curto prazo: fechou o dia, já temos a classificação dos melhores e distribuímos os prêmios,” disse Kiko.

    Outra diferença: por enquanto, o Cartola não paga prêmios em dinheiro — apesar de muitos amigos usarem a plataforma para fazer apostas por fora.

    No Rei do Pitaco, os jogadores entram em ligas pagando um valor que varia de R$ 1 a R$ 10. No final de cada competição, os 30% melhores ranqueados ganham prêmios em dinheiro.

    Num país viciado em futebol, o Rei do Pitaco está ganhando escala mais rápido do que os gols da Alemanha naquele infame 7×1. A startup já tem 1,5 milhão de usuários cadastrados e distribuiu R$ 28 milhões em prêmios no ano passado.

    A receita do Rei vem de uma taxa em cima do valor arrecadado com as inscrições nas ligas. A empresa fica com 15% a 25% do total das apostas e distribui o grosso em prêmios.

    Matheus calcula que o mercado endereçável da empresa é de 40 milhões de brasileiros, e o plano para o ano que vem já é chegar a 7,5 milhões.

    Para isso, a startup vai usar boa parte dos recursos da rodada para investimentos em marketing, incluindo mídia digital e televisão. (O investimento da Globo Ventures não foi ‘media for equity’, mas a entrada da gigante de comunicações naturalmente ajuda nessa frente).

    O Rei do Pitaco também tem planos de entrar em outros esportes além do futebol e em outras modalidades de apostas. A Draftkings — que fez seu IPO em meados de 2020 e já vale US$ 21 bilhões na Nasdaq — atua além dos fantasy games com apostas esportivas e cassinos online.

    “Por enquanto, nosso foco é 100% em crescer o fantasy game, mas no futuro podemos entrar em apostas, NFTs… Tem várias possibilidades,” disse Mateus.

    Nas conversas com investidores, uma das principais preocupações era com o aspecto regulatório, que pode impactar de forma brutal o negócio do dia para a noite.

    “Não acho que vamos ter nenhum problema com isso, porque o ‘fantasy game’ é um jogo de habilidade, e não de azar,” disse Kiko.

    Segundo ele, a Draftkings e a FanDuel enfrentaram essa batalha jurídica em 2015 e provaram, com um estudo do MIT, que a habilidade faz toda a diferença no resultado dos fantasy games.

    Ou seja, não foi penalty.

    Fonte: Brazil Journal

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