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Seedz, a “moeda digital” do campo, atrai 10b e Volpe Capital em rodada

A agtech Seedz, dona de uma plataforma de relacionamento e de fidelidade voltada para as empresas do agronegócio e produtores rurais, está recebendo seu primeiro aporte institucional e está unindo dois investidores que têm vocação distintas.

De um lado, a 10b, uma das gestoras da SK Tarpon, liderada por Marcelo Lima, especializada em investimentos em empresas do agronegócio. De outro, a Volpe Capital, fundo focado em tecnologia fundado por André Maciel, ex-managing partner do Softbank na América Latina, Milena Oliveira (ex-Pinheiro Neto) e Gregory Reider (ex-Warburg Pincus).

Os dois fundos lideram uma rodada seed, que não teve o valor divulgado, na Seedz. Participaram da rodada também a The Yeld Lab, um fundo americano focado em agronegócio que investe na América Latina (a TerraMagna é um de seus investimentos no Brasil), e a Tridon Participações, family office ligado à família Nishimura, dos fundadores do grupo Jacto.

“A intenção foi trazer investidores com expertise diferentes”, afirma Matheus Ganem, cofundador e CEO da Seedz, com exclusividade ao NeoFeed. “São desde investidores com bastante conhecimento em agronegócio até aqueles com mais expertise no universo digital.”

Fundada por Ganem e Daniel Rosa em Belo Horizonte, em 2017, a Seedz criou uma plataforma de relacionamento e de fidelidade que une indústria, distribuidores, revendedores, cooperativas e fazendeiros.

Em cinco anos atraiu 900 empresas, como John Deere, AgroGalaxy, UPL, Yara, Helm, Belagrícola, Yoshida, Cocamar, Fiagril e Agrex, entre outras. Na plataforma, estão também mais de 9 mil profissionais e cerca de 65 mil produtores rurais.

“Estávamos em conversa há quase um ano. E além de estar alinhada a nossa tese, a Seedz tem um time completo e a cultura do 5S: sangue, suor, sola de sapato e saliva”, diz Lima, sócio da 10b. “Eles conhecem o setor e tem uma capacidade de execução enorme.”

A Volpe Capital enxerga na startup a capacidade de digitalizar o setor. “Ela é a única plataforma tecnológica que cobre a cadeia inteira do agronegócio”, diz Milena Oliveira, sócia da Volpe Capital. “O agro representa um quarto do PIB e ainda é um setor offline.”

As empresas usam a plataforma da Seedz para fazer campanhas de marketing, incentivando vendedores de seus distribuidores e revendedores a cumprir metas de vendas e receber a “seedz”, a moeda digital do campo, que podem ser trocadas por prêmios.

Os produtores rurais, por sua vez, também recebem a moeda, à medida que fazem compras das empresas que participam do programa e trocam por produtos e serviços que vão ajudar no dia a dia da fazenda, como drones ou sistemas de gestão para controlar pragas. Eles podem receber também cashback.

O modelo de negócio da Seedz é misto. Uma parte da receita vem de uma mensalidade paga pelas empresas para usar a plataforma da startup e assim se relacionar com distribuidores, revendedores e produtores rurais. A outra é de uma companhia tradicional de fidelidade, como a Smiles – a Seedz vende sua moeda por um preço e faz a troca dos produtos e serviços por outro, ganhando no spread.

Com os recursos do aporte, o plano da Seedz é entrar em serviços financeiros e digitais, além fornecer soluções de gestão para a fazenda. A startup mira também em M&As. O alvo, de acordo com Ganem, são empresas que tem soluções para planejamento de safra e que ajudem os agricultores a tomar decisões.

A estratégia envolve também a captação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para fazer empréstimo próprios aos agricultores. Mas Ganem admite que começará pequeno e que a Seedz atuará também na originação para outras instituições financeiras, ganhando um fee na transação.

O pulo do gato da Seedz para entrar em serviços financeiros é o que muitas empresas alegam para ser assertiva e reduzir inadimplência: os dados de quem está tomando crédito. Como une diversas pontos do setor agro, a startup coleta muitas informações que são úteis para não levar um calote.

Atualmente, o faturamento anual da base de empresas que usam a Seedz é de R$ 35 bilhões. Essas transações não passam necessariamente pela plataforma da startup, mas a companhia sabe o que é movimentando por conta da integração de sua plataforma com o ERP das companhias para receber a moeda digital ou para resgatar prêmios.

Um dos concorrentes da Seedz é a plataforma Orbia, que pertence a Bayer, e que atua como um programa de fidelidade e um marketplace. Questionado se pretende transacionar diretamente pela plataforma, Ganem diz que não tem planos, no curto prazo, de adotar essa estratégia.

Filho de um pequeno agricultor, Ganem se formou em engenharia e foi trabalhar no grupo italiano Maccaferri, que tradicionalmente tem soluções de engenharia civil. Lá, ele começou a desenvolver uma área de agronegócio e viu que a relação  com os agricultores era muito analógica. Foi então que teve a ideia de criar a Seedz em conjunto com Rosa.

Fonte: Neofeed

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