quinta-feira, maio 6, 2021
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    Carne, transporte e energia: tudo que deve ficar (ainda) mais caro em 2021

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    O forte aumento dos preços de alguns produtos foi um susto para os brasileiros no ano passado. Os exemplos mais notáveis (e ainda presentes no orçamento do dia-a-dia) foram os do arroz, do óleo de soja e da carne.

    A expectativa de economistas é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal índice de inflação do país, ganhará ainda mais força ao longo do ano. O indicador, que acumula alta de 6,1% nos últimos 12 meses, pode alcançar um patamar próximo de 8% no começo do segundo semestre.

    Para as famílias brasileiras, são duas as más notícias. Primeiro, os itens que ficaram mais caros no ano passado, como arroz e óleo de soja, não vão dar trégua tão cedo. Ou seja: é bom não esperar que os preços voltem ao patamar de antes da pandemia. E, segundo, novos produtos devem roubar a cena e ficar ainda mais caros, como a carne e o transporte.

    “No ano passado, a inflação foi basicamente explicada pela alta dos alimentos. Neste ano, além dos alimentos, ainda teremos um efeito forte em tudo que é influenciado pelo câmbio”, explica André Braz, especialista em inflação da Fundação Getulio Vargas (FGV).

    Produtos que ficarão mais caros em 2021

    Ele diz que a recuperação da economia global, com o avanço da vacinação contra o coronavírus, vai puxar a demanda por produtos como combustíveis, grãos e carne. Como o real está desvalorizado frente a outras moedas, as exportações se tornam ainda mais competitivas.

    “É como se o Brasil fosse uma vitrine em promoção”, explica Braz.

    Quando há uma demanda externa forte, a oferta interna é afetada. O Brasil viu isso recentemente com a carne bovina. A alta do dólar tornou mais atrativa a venda de proteína para o exterior, o que fez com que os preços locais subissem — qualquer ida ao açougue comprova isso. A demanda de fora deve se acentuar ao longo de 2021, o que deixará a carne ainda mais cara.

    Outro produto que tem pesado no bolso e deve continuar a encarecer é o combustível. Com mais países voltando à normalidade, o consumo de petróleo deve levar o barril a cotações mais altas.

    Esse efeito, somado ao real desvalorizado, deve afetar diretamente a gasolina e o diesel, e indiretamente o etanol. O gás de cozinha, que já ficou 20% mais caro nos últimos 12 meses, também pode continuar a subir.

    “A alta dos preços dos combustíveis causa um efeito dominó. O diesel, por exemplo, tem um impacto direto no frete e no transporte. É bastante provável que haja um reajuste nas tarifas de ônibus por causa disso”, diz Braz, da FGV.

    Outras commodities também estão subindo no mercado externo. Com a alta de mais de 120% no minério de ferro, as chapas de aço que servem de base para a montagem de diversos bens duráveis devem ficar mais caras. É bom se preparar para um avanço nos preços de veículos, eletrodomésticos e eletrônicos.

    Nem mesmo o clima deve dar uma ajuda para o Brasil sair do quadro inflacionário. É esperado um volume menor de chuva nos próximos meses, em razão do fenômeno “La Niña”. A estiagem pode prejudicar a safra de produtos como milho e feijão, o que tem impacto nos preços dos alimentos, e pode também gerar um volume de água menor nos reservatórios das hidrelétricas.

    Menos água nas usinas significa que outras fontes de energia terão de ser acionadas, como as térmicas movidas a combustíveis fósseis. Ou seja, a alta do petróleo também vai cobrar seu preço nas contas de luz.

    Desemprego e renda

    Embora aperte o bolso de todos os brasileiros, a inflação é ainda mais perversa com as famílias de menor renda. Para quem gasta a maior parte do orçamento com contas de consumo e alimentos, a alta dos preços nos últimos meses beira os 20% — bem acima da inflação oficial, que está em 6,1%.

    “O pior desafio não é nem inflação, e sim o desemprego. Com alguma renda, as famílias ainda conseguem driblar a alta dos preços, substituindo um produto ou outro. Mas sem emprego, nem isso é possível”, diz o especialista da FGV.

    Ele lembra que o auxílio emergencial deve ser um socorro para os brasileiros mais pobres, mas que a ajuda do governo está longe de cobrir as primeiras necessidades de uma família, principalmente diante do avanço dos preços de alimentos e outros produtos básicos.

    Fonte: Exame

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