sexta-feira, abril 16, 2021
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    Descontrole da pandemia, risco fiscal, populismo econômico e dólar forte: as 4 incertezas da economia em 2021

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    Várias incertezas pairam sobre o Brasil e já começam a minar as expectativa para a retomada da economia brasileira neste ano – e ameaçam manter o país em crise econômica após a queda de 4,1%no Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, divulgada nesta quarta-feira (3).

    Os analistas têm se mostrado mais pessimistas com o desempenho da atividade econômica desde o início do ano: os últimos números do relatório Focus, do Banco Central, que colhe a avaliação de uma centena de economistas, apontam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,29% para 2021. Há quatro semanas, a expectativa era de alta de 3,5%.

    Boa parte do crescimento esperado para este ano será via carrego estatístico – a herança que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 vai deixar para 2021. Na conta dos economistas, esse carrego deve ficar entre 3% e 3,5%. Ou seja, se o país não crescer ao longo de todos os trimestres deste ano, o desempenho do PIB ficará nesse patamar.

    Na prática, portanto, as últimas previsões apontam para uma economia estagnada este ano.

    Veja abaixo as principais incertezas que limitam a recuperação da economia brasileira este ano:

    1ª incerteza: o descontrole da pandemia

    Com o elevado número de casos e morte por Covid-19 e a lenta vacinação, estados e municípios voltaram a impor medidas restritivas para evitar um contágio ainda maior da doença. Nas últimas semanas, diante do colapso do sistema de saúde em diversos estados, governadores de várias regiões decidiram fechar os serviços considerados não essenciais. Por ora, ninguém sabe até quando será necessário esse abre e fecha da economia.

    Na terça-feira (2), o Brasil voltou a registrar um novo recorde de mortes provocadas pela Covid-19. Em apenas 24 horas, o número de vítimas chegou a 1.726. Ao todo, a pandemia já fez mais de 257 mil vítimas no país.

    As medidas restritivas afetam, sobretudo, o desempenho do setor de serviços, que tem o maior peso na composição do PIB. A pandemia também reduz a confiança de consumidores e empresários. Menos gente fica disposta a sair de casa para consumir, e empresas têm dificuldade de enxergar quando a economia vai poder voltar a operar de forma plena para que novos investimentos sejam realizados.

    “Há uma incerteza diante do quadro pandêmico tomando essas proporções que estamos vendo”, afirma a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro. “O medo da pandemia influência o comportamento do consumidor, com uma postura mais cautelosa.”

    O Brasil ainda sofre com uma vacinação bastante lenta, o que torna o pleno funcionamento da economia cada vez mais distante. Até esta terça-feira (2), cerca de 7 milhões de pessoas receberam a primeira dose da vacina no país.

    2ª incerteza: a política fiscal

    A economia brasileira enfrenta ainda uma grande incerteza com os rumos das contas do governo. Depois de um elevado endividamento provocado pela pandemia de coronavírus, os investidores buscam sinais de que a equipe econômica está comprometida com o acerto das contas públicas nos próximos anos.

    Em 2020, a dívida bruta do país chegou a 89,3% do PIB, um patamar considerado elevado para uma economia emergente como a brasileira. A maior parte dos gastos foi direcionada para o pagamento do Auxílio Emergencial – o programa custou cerca de R$ 300 bilhões e chegou a 68 milhões de brasileiros.

    Em 2021, o governo deve lançar uma nova rodada do benefício, mas num formato mais econômico. O auxílio deve ser pago em quatro parcelas de R$ 250 – o orçamento estimado do programa é de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões.

    A equipe econômica planeja usar créditos extraordinários, ou seja, mais dívida para fazer o pagamento do auxílio. Como contrapartida, espera a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) Emergencial para compensar os gastos com o benefício e dar um sinal de compromisso fiscal.

    A PEC estabelece gatilhos para União, Estados e municípios congelarem o crescimento de despesas em momentos de forte desequilíbrio das contas públicas. Neste caso, haverá proibição de aumento nos salários dos servidores, de criação de cargos ou concursos públicos, de progressões na carreira e também de criação de despesa obrigatória.

    “Só vamos conseguir ver o efeito final disso tudo quando a gente tiver um desenho completo”, afirma a economista-chefe da ARX Investimentos, Elisa Machado. “Se as compensações e os gatilhos não forem aprovados, a deterioração pode mais do que compensar esse impulso fiscal.”

    Sem os sinais de ajuste fiscal ao longo dos próximos anos, os analistas avaliam que pode haver uma piora da percepção de risco dos investidores com a economia brasileira, afugentando capitais do país. Na ponta, esse movimento pode desembocar numa desvalorização do real, aumento da inflação e subida de juros, dificultando ainda mais a retomada.

    Hoje, os analistas, segundo o relatório Focus, esperam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, encerre o 2020 em 3,87%, e a taxa básica de juros – Selic – suba dos atuais 2% para 4% até o fim do ano.

    “O primeiro trimestre foi marcado pela incerteza fiscal”, diz economista-chefe da BNP Paribas Asset Management, Tatiana Pinheiro, . “A combinação da evolução da doença, do atraso no processo de vacinação e da continuidade da incerteza deve fazer com o que primeiro trimestre de 2021 apresente uma contração na margem (na comparação o quarto trimestre. É a nossa expectativa.”

    3ª incerteza: a agenda liberal

    Nos últimos dias, um ingrediente se somou ao quadro de incerteza fiscal no campo econômico. Desde a intervenção de Bolsonaro no comando da Petrobras, parte dos economistas se questiona se o governo vai continuar a perseguir a agenda liberal econômica prometida durante a campanha eleitoral de 2018.

    A interferência de Bolsonaro no comando da Petrobras foi mal recebida pelo mercado. A companhia chegou a perder mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado em apenas duas sessões na bolsa de valores.

    “Tem um elemento de dúvida bastante expressivo com relação à política econômica”, diz Alessandra, da Tendências. “E a dúvida é como fica o Paulo Guedes. A gente acha que a posição dele já estava muito difícil porque era um ministério que vinha perdendo importância.”

    Depois da mudança na presidência da Petrobras, o governo enviou tentou sinalizar um compromisso com a agenda libera ao enviar para o Congresso uma medida provisória para tentar acelerar a privatização da Eletrobras e o projeto de lei que abre caminho para a privatização dos Correios.

    4ª incerteza: dólar mais forte

    Há ainda uma mudança importante no cenário internacional. Os economistas passaram a trabalhar com a possibilidade de um dólar mais forte em 2021, contrariando a expectativa de fraqueza da moeda norte-americana esperada para este ano.

    Esse movimento tem sido respaldado pelo desempenho melhor do que o esperado da atividade econômica dos EUA. Os primeiros indicadores de 2021 já indicam uma economia aquecida, e o governo do presidente do Joe Biden ainda deve conseguir a aprovação pelo Congresso de um pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão.

    “A grande discussão é se não vai haver um superaquecimento da economia norte-americana porque é ela já vai recuperar o PIB pré-pandemia neste (primeiro) trimestre”, afirma Andrea Damico, economista da Armor Capital. “Essa economia também vai receber o estímulo de US$ 1,9 trilhão e ainda se discute um pacote de infraestrutura.”

    O crescimento acima do esperado pode fazer com que o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) comece a retirar as suas medidas de estímulos e passe a ter de subir os juros antes do esperado para segurar a inflação – com a pandemia, as taxas nos EUA recuaram para próximas de zero.

    Juros mais elevados nos Estados Unidos têm potencial para atrair recursos aplicados em economias emergentes, como a brasileira, o que pode provocar uma desvalorização do real, com impactos na inflação.

    Na terça-feira (2), o dólar chegou a R$ 5,70.

    Fonte: G1

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